quarta-feira, 8 de abril de 2015

Situação Ambiental atual dos EUA

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Agora temos uma visão no mundo que só há poluição e problema ambiental na China, não nos EUA.

Esse texto procura desmontar essa visão.

SITUAÇÃO AMBIENTAL ATUAL DOS EUA

Primeiro derrubar o mito que os EUA não provocou desastres ambientais locais e que a sua situação atual é tranquila, temos esses pontos para destacar, mas que não refletem a situação toda e a qual indicaria Lester Brown e seu compêndio State of Earth para fazer um levantamento mais cuidadoso:

• Menos de 5% das florestas naturais foram preservadas no território norte-americano, um dos maiores países em território, com 9.363.123 km2 .

• Através do espalhamento urbano (urban sprawl) mais da metade dos rios americanos, lagos e zonas estuárias estão completamente poluídos, segundo dados oficiais do governo (que são questionáveis).  Mesmo sendo uma economia avançada, depende e muito de uma expansão urbana e de construções continuamente num território finito, fenômeno que destrói terras férteis, agricultura e causa uma poluição ambiental sem limites.  A população americana cresce quase 3 milhões (incluindo a imigração líquida) todos os anos e essas novas moradias vão atender essa demanda maior por casas. 

• Os quatro principais estados agrícolas dos Estados Unidos - Colorado, Oklahoma, Kansas e Texas -  extraem água de um aquífero fóssil - o Ogallala - que é sempiterno, ou seja, não tem taxa de reposição. Foi formado há milhões de anos atrás e seu estoque é finito.  Estima-se que até 2025 a produção agrícola dos Estados Unidos nestes estados enfrentará declínio significativo. Esses estados dominam a produção agrícola dos Estados Unidos.  Até 2025, a população americana deve aumentar em 59 milhões de pessoas.

• A situação hídrica da Califórnia é extrema, a pior em milhares de anos, com o estado sem água na superfície (regime de chuvas) e no volume subterrâneo que foi superbombeado acima da capacidade de sustentação e segundo a Nasa só há água disponível para um ano.

• O delta do Rio Mississipi está sendo invadido pelo mar a uma velocidade incrível, matando a agricultura e os animais através da salinização da água e do solo. Cientistas mostraram que isso aconteceu por um desastre ambiental e que as chances de reverter esse processo são pequenas, além de custar às atuais populações locais milhões de dólares.

• A pegada ecológica dos Estados Unidos é de 10,3 hectares, sendo que dada a população global atual o máximo que cada um poderia dispor é de 1,7 hectare (figura 1).  A pegada ecológica dos países ricos ainda não se transformou em um problema global por causa dos países pobres, mas com o avanço material das populações atrasadas na China e de outros países na Ásia, no Brasil e em outros lugares, a insustentabilidade planetária pode surgir, aumentando as já atuais tensões sociais e militares da Terra.

• Em termos de pegada ecológica, acima da capacidade biossistêmica, a Europa não é muito diferente dos EUA.  A situação da Alemanha é muito parecida com a dos EUA (figura 2).   

Figuras 1 e 2
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• Uma criança americana com expectativa de vida de 80 anos deverá consumir 800.000 kw de energia elétrica, 2.500.000 litros de água, 21.000 toneladas de gasolina, 220.000 quilos de aço, 1000 árvores e gerar 60 toneladas de lixo urbano, a maior parte deste consumo representando por um enorme desperdício.  A criança americana produz uma sobrecarga ambiental 30 vezes maior que a brasileira, 35 maior que a indiana e 280 vezes maior que a haitiana. A disseminação deste padrão de consumo para as populações afluentes coloca em xeque o já frágil equilíbrio ambiental do globo terrestre.

Etc.

IMPACTO DOS EUA E DOS DEMAIS PAÍSES QUE POSSUEM PEGADA ECOLÓGICA ACIMA DA SUA BIOCAPACIDADE NO RESTO DO MUNDO:

A tragédia ambiental do modelo econômico dos EUA é muito mais relevante, porque se trata de um modelo que está se disseminando para o resto do mundo. Trata-se de uma economia que já se tornou totalmente inviável localmente, mas que está causando um colapso planetário ao ser copiada pelas nações remanescentes.  No passado a situação foi muito pior que a atual.  O histórico de extinção de espécies animais e vegetais e de destruição de ecossistemas dos EUA é pavoroso.   Nova Iorque, nos anos 1950, era irrespirável também.  A quantidade de chumbo e enxofre nos combustíveis era cavalar.

EUA não entraram em colapso por uma razão muito simples: comércio global, no qual as trocas ambientais são a custo zero, mas tem importância enorme para os países ambientalmente deficitários, como os EUA. Vamos imaginar que no planeta Terra, os EUA fossem o único território, cercado por oceanos. Já teria entrado em colapso ambiental (e social) na década de 70.  A partir de um ponto os EUA começou a transferir parte das sua produção suja para o resto do mundo e passou a limpar o seu país às custas dos outros países.  Não só o mundo e os EUA se beneficiaram do trabalho escravo da China, como começaram a sugar recursos da natureza de países superavitários de forma truculenta.  Não é à toa que 1.000.000 de km2 da Amazônia já foram comprometidos e mais ainda do Cerrado.  Essa troca entre países, a custo zero, não é só fundamental para manter os lucros elevados das empresas, como para manter o fluxo de serviços ecológicos indisponíveis num sem número de nações na Ásia (China, Japão), Europa e Estados Unidos.   Dentre esses países, um grande superavitário é o Brasil, com 5.000.000 de km2 ainda em florestas naturais, mas com esses ecossistemas atingindo seu ponto de ruptura, a partir do qual pode haver um colapso severíssimo sem precisar mais nenhum ataque contra o ecossistema (figura 3).  A principal corrupção do Brasil é entregar o Cerrado e a Amazônia a tratores de multinacionais e empresas coligadas para exportar soja e carne para os países deficitários (o que significa fazer uso de uma quantidade grotesca de água que só nós temos excendente), enquanto agora somos importadores liquidos de arroz, feijão e banana, três produtos essenciais da dieta brasileira (vem da Ásia e da China, com metal pesado e transgênicos...).

Figura 3
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A IDEOLOGIA OCULTA POR TRÁS DE TUDO ISSO

Existe uma ideologia no mundo hoje seguida pelo Banco Mundial e pela ONU que é mais ou menos assim: 'Hoje os países que mais destroem florestas e poluem são os países pobres e em desenvolvimento. Os países ricos não fazem mais isso. Solução: enriqueça os países pobres.  Lógico que os países ricos destroem pouco, não dá para destriur mais que 100%. Quer dizer, até dá, mas dos outros países, via comércio global.

Quanto a fotos nos EUA, tenho certeza, que se olharmos para o presente (Golfo do México, New Orleans) e para o passado, vamos encontrar coisas piores que na China. Mas vamos lá:

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Praia de Finisterre, derramamento de petróleo acontece com certa frequência nos EUA

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Destruição de quase todos os manguezais em New Orleans explica mais da metada de tragédia causada pelo Katrina, assim como fim de barreiras florestais explicam a gravidade de fenômenos naturais como tempestades e tornados nos EUA

Sugiro a leitura desse artigo sobre as tragédias ambientais dos EUA:



Tem a crítica à teoria econômica e ao modelo econômico criados pelas universidades dos EUA e que estão destruindo o futuro da humanidade, além de destruir o meio ambiente, destruiu as democracias que viraram plutocracias com governos na direção apenas dos interesses errados dos mais ricos e das suas corporações, destruíram as liberdades humanas, provocaram a pior concentração da história da humanidade principalmente nos países ricos e, causaram a maior extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhoes de anos (o aquecimento global em curso é um problema, não "o" problema e não é causa, mas apenas consequência desse modelo).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Fim da água

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Fim da água é uma tragédia anunciada, mas largamente ignorada. É uma prova do erro fatal da teoria econômica tradicional que segue ilesa frente a tantas evidências desconcertantes.

Tem uma cena inesquecível do filme Lista de Schindler que muito se assemelha ao momento atual da humanidade.  Num campo de concentração, mulheres estavam agrupadas no chão num campo.  Um general arrogante observava enquanto decidia seu destino.  Atrás dele, não muito distante, trabalhadores alemães erguiam um telhado.  Até que uma moça judia se aproximou do general corajosamente e disse: "Senhor, sou engenheira, os seus soldados precisam de ajuda, não vai dar certo a construção."  O general sem falar nada, sacou a arma e a matou com um tiro na cabeça. Logo depois, o telhado que estava sendo construído desaba na frente do general. O que esse general fez com a engenheira judia foi exatamente o que os adoradores do crescimento fizeram:

(1)    com Nicholas Georgescu-Roegen e o grupo Meadows do Limits to Growth,
(2)    com a agenda da sustentabilidade ,
(3)    com os tratados do clima,
(4)    com os alertas de destruição dos ecossistemas como a Amazônia,
(5)    com os alertas sobre o tamanho das populações, e
(6)    contra qualquer um que mostrasse os erros do atual modelo e seu colapso que agora ficou bem evidente.
A pergunta agora é o que estamos fazendo?  Enquanto isso:

Ministro Braga: Deus é brasileiro e os reservatórios das usinas de energia estão bem longe do mínimo de 10% (os principais da região SE/CE estão abaixo de 11%...)
Governador Pezão do RJ: Não vai haver racionamento (o principal reservatório chegou no volume morto...)
Governador Alckmin de SP: vamos transportar água dos reservatórios mais cheios para os mais vazios (fazendo média para baixo sem pensar em consertar as fontes da água e conter a demanda?)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A crise hídrica

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A realidade atual não está reinvindicando a posição otimista dos adoradores do crescimento, nem dos verdadeiros que acreditam na teoria neoclássica e seus erros epistemológicos, nem dos falsos que dizem ter alterado a rota, mas continuam com propostas na mesma direção de aumento do consumo absoluto de matéria e energia e da nossa pegada ecológica global que já ultrapassa a capacidade do planeta em 50% e segue em crescimento.

Os pessimistas foram demonizados, claro, porque parece mais fácil viver numa casa com a sala pegando fogo e fingir que nada está acontecendo do que encarar a realidade nua e crua a nossa volta e mudar nosso modelo mental.

A realidade reinvindicou a posição dos pessimistas, jogando na vala comum do vazio todas as discussões de alternativas ao modelo econômico atual.   Ficamos sem avanço algum esses anos todos, exceto o da destruição crescente das bases de sustentação da vida causada por nossas economias, que segue inabalável diante dos nossos olhos.  Por tudo isso posto, a crise da água é uma oportunidade e acho que precisamos de um movimento mais amplode debate e propostas aplicadas.  Temos ouvido no rádio e a partir da fala dos dirigentes políticos as seguintes informações desde quando começou essa crise medonha:

1)      a crise hídrica foi causada pela seca;
2)      a chuva irá resolver o problema;
3)      não haverá racionamento; e mais recentemente,
4)      a única solução é a chuva dado que as “obras” ficarão prontas só em 2016.

Lamentável.  Alguns pontos:

1)      o adensamento populacional da região metropolitana de São Paulo e suas cidades satélites reduz a disponibilidade de água per capita a níveis de regiões semi-áridas: menos de 200 litros por pessoa por dia, quando o mínimo seguro é 2000 (Brasil tem muito mais).  O erro histórico é deixar a população paulista e paulistana esbanjar água quando a realidade é outra há muito tempo.

2)      a destruição de 80% da vegetação em mananciais e nascentes contribuiu bastante pela perda da água e nada se fala sobre isso.

3)      a coleta do esgoto é de 70% do total e desta o tratamento é menos de 30%, ou seja, a maior parte do esgoto dos quase 20 milhões é jogada in natura nos nossos rios, isso reduz a oferta de água dramaticamente.

4)      a perda nos canos é uma incógnita, mas é sabidamente elevada, outro absurdo.

5)      os reservatórios estavam em queda franca desde 2011, algum planejamento antes da seca de 2014 deveria ter sido adotado para evitar perder a impermeabilização com o uso do volume morto, nada explica chegarmos ao ponto que chegamos, exceto a má gestão, a falta de investimentos e as ineficiências administrativas, além da negação total do problema.

6)      se a chuva não vier, não há como abastecer 20.000.000 com caminhões-pipa, nem com poços, nem há alternativa, ou seja, se não chover caminhamos para um cenário MAD MAX aterrador.

7)      a destruição contínua do Cerrado e da Amazônia irá transformar o Brasil num enorme deserto não importa o que façamos localmente, o risco sistêmico nacional da destruição dos nossos ecossistemas precisa ser contornado.

8)      falo nas minhas palestras desde 1997 que a maior ameaça do aquecimento global é o fim da água e esse outro risco sistêmico global está pior a cada dia.

9)      o modelo mental do crescimento econômico baseado em uma teoria econômica falsa precisa ser revogado, porque a oferta da água é finita e mesmo que consigamos preservar 100% e adotar tecnologias de eficiência ao extremo, não há como manter uma demanda crescente sobre um recurso finito, assim como é impossível manter um crescimento infinito exponencial num planeta finito em espaço, água e serviços ecológicos (quem acredita nisso ou é um louco ou é um economista e sobre esse ponto, tema de estudo há décadas, disso com fartos argumentos convincentes apesar disso escamoteado por uns, ignorado por quase todos).

Como atacar os oito pontos acima?  Se atacarmos os oito pontos acima, o último naturalmente se resolve ou é forçado a tanto, embora os adoradores do crescimento (falsos e verdadeiros) ainda irão lutar para não largar o osso, mas de qualquer forma, contra eles e essa visão estúpida, o fim da água em São Paulo e alhures é uma prova do erro fatal da teoria econômica tradicional baseada no crescimento do PIB e apenas nisso.  Se conseguirmos evitar o cenário MAD MAX aterrador, essa é talvez a única  e última oportunidade de salvar a humanidade do colapso.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

III Seminário do CEDE

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Grupo Decrescimento:
Prezados participantes do grupo,
A Teresa, doutoranda em Economia na UFF, solicitou a participação de alguém do grupo no III Seminários do CEDE, mesa: Desigualdade, Sustentabilidade e Decrescimento. Por indisponibilidade de tempo de pessoa mais qualificada, prontifiquei-me a participar do evento, ocorrido em 12/11/2014, e gostaria de compartilhar com o grupo nossas impressões.
Os presentes eram poucos; talvez 10 pessoas. Eram doutorandos, mestrandos e professores da UFF de diferentes áreas. A Professora Claude Cohen fez uma introdução que contextualizou o uso do termo DECRESCIMENTO, como utilizado hoje, e seus principais divulgadores. Depois dela, foi a minha vez de participar. Tive dificuldade para preparar minha fala, pois, como leigo no assunto e simpatizante do DECRESCIMENTO, não sabia bem como abordar o tema para pessoas muito qualificadas em Economia, formação que não é a minha. Decidi, então, propor várias questões para a reflexão dos presentes e sugerir algumas possibilidades de respostas. As perguntas foram divididas em duas partes. A primeira sugeria o caráter destrutivo e concentrador de poder inerente à teoria econômica predominante, com base no livro Consciência e Abundância. A segunda compartilharia uma discussão ocorrida no nosso grupo sobre o nome adequado para o “movimento”:
DECRESCIMIENTO ou DESCRECIMIENTO. Reproduzo, abaixo, as perguntas e possibilidades de respostas sugeridas.
PRIMEIRA PARTE:
Por que DESIGUALDADE “entrou na moda”? R: porque, segundo alguns estudiosos, ela nunca foi tão intensa.
A Teoria Econômica Predominante teve (e tem) papel importante para esta Desigualdade sem precedentes? R: suspeito que sim; muito importante.
Então, a Desigualdade sem precedentes que experimentamos hoje é, em grande parte, decorrência do fracasso ou do sucesso da Economia? R: suspeito que do seu SUCESSO!
Por que a Desigualdade é, em grande parte, resultado do sucesso da Teoria Econômica Predominante? R: porque ela está fundamentada num conceito destrutivo e excludente.
Algo pode crescer sem que sua base se expanda? R: suspeito que não.
E qual é a base da Teoria Econômica Predominante? R: ESCASSEZ!
O que é necessário para que uma economia baseada na escassez cresça? R: o crescimento da escassez.
Crescimento da escassez é bom ou ruim? R: penso que ruim.
Qual é o objetivo de uma economia baseada na escassez? R: CONCENTRAÇÃO DE PODER!
Como uma economia baseada na escassez promove a concentração de poder? R: Com outra pergunta: o que acontece com o detentor de um recurso que se torna mais escasso? R: CONCENTRA PODER!
Qual é a conseqüência natural da concentração de poder? R: Suspeito que seja a desigualdade.
Logo, se uma economia concentradora de poder obtiver sucesso, nós teremos igualdade ou desigualdade? R: suspeito que desigualdade.
Se nós desejamos um mundo menos desigual, deveríamos estimular o crescimento ou o decrescimento de uma economia baseada na escassez? R: suspeito que DECRESCIMENTO.
SEGUNDA PARTE:
DECRESCIMENTO: um dos vários movimentos interessantíssimos que estão ocorrendo no Brasil e no mundo.
O que é o “movimento” DECRESCIMENTO? R: Até onde conheço, não existe consenso – vide brigas no grupo...rsrsrs.
O que eu gostaria de compartilhar hoje? R: discussão no grupo que participo sobre DECRESCIMENTO sobre o nome mais adequado para o movimento: DECRESCIMIENTO ou DESCRECIMIENTO. DECRESCIMIENTO seria, grosseiramente, reduzir PIB (profa. Cohen falou sobre esse entendimento na sua introdução). DESCRECIMIENTO seria se desvincular do PIB e da teoria que o suporta.
Qual seria o melhor entendimento? R: suspeito que seria “DESCRECIMIENTO”.
Por que”DESCRECIMIENTO” seria melhor? R: porque se harmoniza com a EBA! (Economia Baseada na Abundância), proposta no livro Consciência e Abundância, fundamentada em outra visão de mundo, que possui outro conceito de riqueza e que não vê a concentração de poder (base da desigualdade) “com bons olhos”.
Encerro minha partilha por aqui e estou disponível para conversas, debates, trocas etc.
MUITO GRATO!
Após minha participação, o prof. Emmanuel Boff, sobrinho do Leonardo Boff, fez sua apresentação alinhavando a introdução da profa. Cohen, minha partilha e sustentabilidade (conotação de preservação ambiental).
Comentário sobre o evento:
Gostei muito de participar, rever conhecidos e conhecer outros. Apesar das minhas significativas limitações, fui acolhido com tolerância e gentileza. Por isso, agradeço a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para que essa experiência se realizasse: organizadores do evento, Teresa (que solicitou participante), Edson (nosso moderador) e todos os demais membros deste grupo. MUITO GRATO A TODOS!
Também aproveito para pedir desculpas pelas minhas falhas e forma simplória pela qual conduzi minha participação. 
Grato pela atenção.
Abraços fraternais.
Paulo


Paulo,


Crescimento do PIB só produz destruição da natureza, destruição dos empregos (e todo seu caráter social, como criatividade, liberdade, etc.) para apenas um objetivo: concentrar riqueza e poder nas mãos de cada vez menos pessoas.

Gostei muito, por isso escrevi essa frase que antes era: crescimento do PIB só produz concentração da riqueza, destruição da natureza e destruição dos empregos.

Depois do que você escreveu, os dois primeiros são os meios e o último é o objetivo.  Você está certo: a escassez foi inventada. Ela só existe através de uma série de maus atos.  Sem eles, sim, haveria a abundância.  Teríamos que cortar os maus atos, focar nos elos. Sair da economia dos invisíveis (produção global de marcas via transporte excessivo) para a economia dos visíveis (produção local de pessoas conhecidas com enormes interações sociais).  A idéia de migrar do invisível para o visível me parece ainda mais interessante no sentido que é impossível colocar uma grande corporação na cadeia.  Os maus atos são também inatingíveis e o “accountability” é praticamente impossível.  Nos invisíveis não temos a menor idéia como é produzida, que ecoterrorismo está associado e que destruições sociais estão sendo impingidas.  Vez ou outra aparece um caso, mas o todo nunca saberemos.  Pelo estado da água, do lixo, da saúde física e psíquica de todos, além do clima colapsando na Terra dá para se ter uma idéia, embora tudo pareça uma normose.

Mas isso é uma armadilha: justamente aqueles que podem mudar esse sistema, são os que mais se beneficiam dele.  A mudança só poderia vir de baixo (o número de desalentos está ficando grosseiro).  Como disse outro dia aqui nesse espaço: hoje uma empresa que produz 10% da demanda por televisores do mundo tem só três turnos de 15 funcionários cada... Os economistas tradicionais comemoram, chama “robolution” ou destruição acelerada de empregos. Só faltou se preocupar com o assalariado que vai comprar os produtos num consumo que precisa crescer exponencialmente.

Esse sistema tem sido muito bem sucedido nisso. Só que já sabemos e isso é fato: irá colapsar, mas não apenas para alguns. Dessa vez para todos.

Nunca estivemos tão perto do colapso como agora. O fim da água em São Paulo e em outros lugares é uma prova do erro fatal da teoria econômica tradicional que fundamenta a idéia estúpida e falsa de crescimento do PIB.

Abraço

Hugo

Café de máquinas residenciais com cápsulas

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Querido amigo Hugo,

Caramba, virou moda já, mas não é que descobri que essas cápsulas de café tem dois problemas sérios, óbvios mas não tão óbvios, porque vivemos na inconsciência. Voilà:

1)      o que fazer com o resíduo? (  ) Mandar para marte? ( ) Acumular mais esse lixo num planeta já soterrado por lixo (como por exemplo resíduo da energia nuclear que não tem destino final até hoje) (  ) Fingir que somos sustentáveis e atirar tudo no oceano? (  ) Por que não podemos tratar a Terra como uma lixeira, que mal há nisso? (  ) Ajudar na contaminação da água num país que trata quase nada do seu esgoto? (  ) Todas as alternativas, sempre que só houver custo para o contribuinte otário...

2)      o café ali depositado, que desmatou uma floresta, consumiu água, solapou biodiversidade, queimou lotes e lotes de combustível para o transporte estúpido em caminhões, desse total que há na cápsula, 1/3 não é utilizado. Abra uma e veja você mesmo... Devíamos doar as cápsulas usadas para os necessitados.

Sabe esse monte de TV pendurado nas paredes de tudo quanto é canto dos espaços públicos, hotéis, hospitais, necrotérios, etc., ligados para ninguém ver ou ouvir ou usufruir? Então os exemplos de desperdício são a única forma agora desse sistema colapsado sobreviver um pouco mais.

O desperdício é nosso rei, junto com a obsolescência e o convencimento de consumir aquilo que não precisamos.  Realmente somos uma espécie que parte do princípio que não há mais amanhã ou que talvez acreditam que não precisamos do amanhã.  Estamos sem norte e sem modelo crível que funcione. A caminho do colapso agora de forma frenética, Paris não vai dar em nada, o tratado do Kyoto e os créditos do carbono previsivelmente terminaram em nada e em fraudes.  Sensacional! 

Mas existe trabalho grande daqueles que querem otimizar esse sistema a caminho do precipício com suas idéias ainda dentro do mesmo esquema da teoria neoclássica, pela qual o sistema econômico é um sistema isolado equivalente ao universo.  Mudança? Não, apenas desenvolvimento sustentável. Até a OCDE assina esse capricho... alguma frase em mente? A do Einstein: querer fazer sempre o mesmo esperando resultados diferentes...

O sucesso é medido pelo distanciamento material uns dos outros (só seremos bem sucedidos se comprarmos uma casa de 3.000 metros quadrados igual a da Gisele Bunchen ou do Luciano Hulk), não pelo bem que podemos fazer uns aos outros.  Esse distanciamento material é muito menor nas celebridades ou cenourinhas como Gisele Bunchen ou Luciano Hulk, do que quando olharmos os capitães do processo ou a superclasse de poucos indivíduos.

E esse distanciamento material só é obtido através da única forma de avaliar as economias: crescimento do PIB.  Pelo menos 80% do PIB é ineficiência, desperdício e coisas desnecessárias e eu estou impressionado com o assassinato do bom senso nesse planeta, mesmo nos lugares onde ainda não há guerras, como na Syria (e lá o motivo foi falta de água durante cinco anos, um pouco talvez de ponta do iceberg do que pode acontecer com o resto do mundo se não revorgarmos a teoria neoclássica, se a megalomania e a ganância não for estancada e se não dermos atenção às ciências dignas na Terra...).

Não sou católico, mas lhe desejo um bom Natal.  Tenta beber um pouco, eu sei que você não bebe, mas acho que é hora de beber um pouco,

Seu amigo idoso que o admira muito,

Virasin Ohmin

PS: Descarte sua máquina de café de cápslas, se você fez a burrice de comprar e volte para o coador de pano da vovó… Ah, transformar energia elétrica em calor (é o que esse troço faz) é extremamente ineficiente, prometo que aquecer água com o seu gás encanado é muito melhor...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Fim da água em São Paulo à vista?

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Amigos,


A entrevistada é do Instituto Socioambiental, que faz parte da Aliança pela Água (www.aguasp.com.br).

Meus comentários:

A questão da água é resultado direto de uma teoria econômica que ignora os elos do sistema econômico – e sua dependência – com a natureza.  Nicholas Georgescu Roegen mostrou mais de 50 anos atrás porque através de um erro epistemológico sério os economistas assumiram corajosamente a total separação entre o sistema econômico e o ambiental.   Mesmo assim, a explicação esquisofrênica em defesa desse modelo econômico é que a regra de escassez e os mercados irão resolver o problema ambiental (e social).  Na verdade com esse erro, os mercados só agravam a situação, o modelo teórico e mental que precisa ser revisto, do contrário, suicídio coletivo.

Conforme apontado por Paulo Roberto da Silva, como a regra de escassez só se aplica aos bens econômicos (oferta limitada e sujeita a apropriação) e não se aplica aos bens livres (inesgotáveis e não sujeitos a apropriação e inclui aqui todos os itens da natureza e seus serviços), a escassez desses últimos jamais é observada (finitude planetária ou da natureza) e as leis do mercado (preços mais altos como limitador do consumo) não valem aqui.  Ao contrário, como já escreveu várias vezes Hugo Penteado, quanto mais viável for economicamente uma atividade, mais inviável ela é do ponto de vista ambiental (e social).  Esse conflito não foi resolvido, porque para tal, é necessário a revogação dos erros da teoria econômica tradicional, algo que a Economia do Meio Ambiente que conhecemos, em grande parte ligada a essa visão neoclássica, também não resolveu (e o tratado de Kyoto expirou em 2012 sem nenhuma grande fanfarra...).

Na prática vivemos um suicídio coletivo progressivo.  Conforme se retira  mais água de reservatórios que vão sendo degradados (desmatamento, poluição, mudança climática), não há nenhum estímulo de demanda para evitar o seu consumo e o extremo desperdício dos paulistas e paulistanos.  Todos seguem lavando a calçada com mangueira e construindo piscinas, não há limitação alguma para outorga de água, mesmo que seja em sacrifício de atividades e populações do interior.  O desperdício galopante se observa em regiões como a de São Paulo cidade e satélites, mesmo com uma proporção per capita de água comparada a regiões semi-áridas (ou desertos), de apenas 200 litros /dia (à guisa de comparação, o estado tem 2800, Brasil 8200 e a ONU recomenda como limite mínimo 2000).   Portanto, toda a distribuição, usinas de filtragem, estações de tratamento, conexões de reservatórios, etc. disponibilizaram uma oferta acima do que rezava a finitude desse recurso na região a ponto de criar a possibiilidade de um colapso total que irá requerer que 20 milhões de habitantes sejam evacuados, porque sem água, a única opção é caminhão-pipa, mas a magnitude é impensável. Dos 13 hospitais da região da Paulista, só um, o Hospital das Clínicas requer 350 caminhões pipa por dia...

Além da água, o fim das reservas pesqueiras é um exemplo idêntico.  Você começa retirando peixes com cada vez maior frota de pesqueiros. O preço cai e a demanda sobe, culminando com nova alta de preços.  Aumenta a frota e retira-se mais peixes. O ciclo vai se repetindo até a reserva pesqueira colapsar com uma quantidade grotesca de barcos acima da linha do mar à toa.  As atividades ganham subsídios do governo para piorar.  Das 17 reservas pesqueiras mundiais, 11 entraram em colapso e as outras já estão bem encaminhadas na mesma direção. A indústria pesqueira mundial suicida tem rede suficiente para embalar a Terra sete vezes.  O mais assustador é que mesmo após a proibição da pesca em lugares importantes, não houve melhora, o colapso foi irreversível.  Mas essa “falsa escassez” fomentou uma outra atividade, nociva à saúde humana (uso de antibióticos, hormônios, tintas, metais pesados) que é a cultura de peixes fora do mar.  Salmão cultivado foi relatado num artigo do Guardian Sustainability Blog como um dos alimentos mais nocivos à saúde humana do mundo, senão o pior.

Jamais foi impedida pelo mercado e pela escassez a morte do solo em regiões agrícolas como no vale do Paraíba do Sul com o ferro e fogo arrasador na Mata Atlântica braslieira e o café, seguido por um êxodo e fuga ambiental de porte elevado na nossa história.  Nada se tirava do solo de alimentos, essa destruição é visível até os dias de hoje.  O modelo econômico opera até o colapso, não há nenhuma regra pertinente ao uso dos recursos da natureza que detenha esse suicídio ou que produza ganhos de eficiência, tecnologia, contenção da demanda que deveria engerar o limite ecológico.  Isso porque outro erro dessa teoria autista é que os bens da natureza são considerados substituíveis, o que podemos chamar de mito tecnológico e da substituição perfeita ou quase perfeita dos fatores.

Na prática é o que vemos na proposta do governo estadual e federal: na crise hídrica atual as três obras propostas (usina de reúso, canais transposição da água dos rios São Lourenço e Paraíba do Sul) são como se fossem substitutos para água.  Vamos imaginar que por conta do desmatamento, poluição, comprometimento de nascentesm, etc. a água não seja mais produzida nesses rios. As obras “substitutas” irão criar uma estrutura que não poderá ser usada.  A água é insubstituível e ela vem da natureza. Ponto. Podem construir as usinas e canais cinzas, eles podem ficar secos.  Isso tudo antes da morte da Amazônia e da mudança climática. Ou seja, como não fazemos nada como espécie animal, o pior ainda está por vir...

No limite, somente com finitude da demanda ou sua redução (decrescimento de matéria e energia e não do PIB, que já deveria ter sido abolido há décadas) conseguiremos amenizar a situação.  Não é mais possível revertê-la, isso era possível décadas antes, não agora com uma pegada ecológica global acima da capacidade terrestre, de 1,5 planeta (hoje mesmo li uma matéria que até 2050 o número de carros no Brasil irá quadruplicar, não só é uma cegueira total, como estamos copiando o modelo carrocentrista monodirigido que claramente não pode ser replicado para todos).  O quadro de alterações planetárias é irreversível e tudo indica que estamos levando o sistema para o limite, onde não podemos mais descartar cenários possíveis de ruptura.

Tudo isso para dizer que apesar dessa evidência – o fim da água - contrária ao pensamento tradicional, os economistas seguem acreditando que a água vai ser regulada pela escassez e pelos mercados, mas não explicam porque mesmo com essas regras pré-existentes não se conseguiu evitar a situação extrema que temos diante dos nossos olhos em várias áreas, as mais importantes, água, energia e clima.   Hoje existe um risco palpável de colapsar o reservatório da Cantareira até o terceiro volume morto e acabar totalmente a água se o regime de chuvas for tão ruim quanto em 2013-2014 ou se a perda de impermeabilidade for muito mais severa do que se imagina (uma vez que o fim do primeiro volume morto e o esgotamento do segundo e seu efeito sobre o eservatório nunca foi observado antes).  Quando isso acontecer, gostaria de ser o primeiro a perguntar aos economistas onde estão o mercado e a escassez que iriam evitar esse colapso? Por que não funcionaram?  Será que irão sustentar as suas falsas teorias mesmo após isso? Ou vão fazer como os mafiosos: só assumem a culpa por alguma coisa quando podem atribuir a alguém...

O volume morto guardava o selo da impermeabilidade da Cantareira, mas com o seu fim hoje 80% do fundo do reservatório está exposto a céu aberto e totalmente craqueado.  Apesar de tudo isso, a única estratégia do governo é esperar chuvas que tragam 75% da vazão no mínimo da média histórica para recuperar o reservatório para 10% acima dos dois volumes mortos já utiilizados.  Todas as três obras – que não são solução – só ficarão prontas depois do próximo ano hídrico (de outubro de 2014 a setembro de 2015).  A relação chuva e vazão pode ter quebrado, ou seja, para a mesma quantidade de chuva de antes, não se produz a mesma vazão histórica, ou seja, os reservatórios podem não encher mesmo com chuvas acima ou na média histórica.  Finalmente, a aposta de chuvas já não deu certo: outubro e novembro teve chuvas e vazão ridiculamente baixas (tanto por poucas chuvas quanto por falta de impermeabilidade nos reservatórios).  Dezembro vai pelo mesmo caminho.  Se janeiro a março continuar assim, evacuação das cidades à vista ou paralisação de todo o trânsito motor da cidade para deixar apenas centenas de milhares de caminhões-pipa circularem. Ah, e quem vai pagar a conta deles? Qual vai ser seu preço? Porque aí a escassez dos economistas autistas se aplica: quantos caminhões-pipa existem para movimentar água na cidade?

Virasin Ohmni