terça-feira, 18 de novembro de 2014

Para não ter dúvida...

Por favor se comentar deixe um email para contato.

Isso é consequência do crescimento do PIB num modelo em rota de colisão com a Terra. Não é possível mudar a consequência sem mudar a causa. Não é mais possível evitar os efeitos da consequência, só conseguimos agora mitigar o dano...  A meta atual é 450 ppm, a anterior era 350 ppm. A diferença entre as duas metas é que cenários crítico de ruptura podem ocorrer mesmo que consigamos ficar dentro da meta atual.

https://scripps.ucsd.edu/programs/keelingcurve/wp-content/plugins/sio-bluemoon/graphs/co2_800k.png



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Uma prova do erro da teoria econômica está vindo a galope

Por favor se comentar deixe um email para contato.

A falta de água em São Paulo é sistêmica. É o encontro de uma demanda alucinada de construções, sistemas e pessoas, contra uma barreira: a finitude da água potável, agravada desmedidamente pela mudança climática, destruição da Amazônia e outros processos que desconhecemos.  E que tendem a se agravar.  Que a natureza é inesgotável é fácil de acreditar com mitos econômicos os mais variados possíveis, mas que estoques de solo e água são e sempre serão finitos (ou declinantes) é impossível negar.

Enquanto discutíamos sustentabilidade, isso tudo estava acontecendo debaixo dos nossos pés. Isso será um rude awakening, an unconvenient truth: o erro da teoria econômica tradicional evidenciado no seu mais alto grau de gravidade.  E não só aqui no Brasil. A situação californiana é surreal também. Outros lugares vão pelo mesmo caminho.

Não se preocupem, nem tudo está perdido. Podemos continuar advogando a tese de crescimento econômico eterno num planeta finito, essa que seria uma das idéias mais estúpidas da nossa espécie animal, acabou sendo superada pelas soluções tecnológicas ou tecnocráticas propostas, como a sustentabilidade com definição tão aberta que qualquer coisa cabe dentro dessa política, energia limpa, mecanismos de desenvolvimento limpo, precificação das externalidades, etc. etc. etc., tudo aquilo que serviu até o momento para ignorar a crítica irrefutável de Nicholas Georgescu-Roegen ao sistema econômico que vigorava na sua época e que seguiu a céleres passos desde então, posto que sua contribuição ao pensamento econômico foi ignorada, por defesa de interesses próprios.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

NADA A COMEMORAR MESMO

Por favor se comentar deixe um email para contato.

O nada a comemorar tem que se referir ao fato que esse atual modelo de consumo e produção, mesmo que bem sucedido, é um desastre suicida e não tem o menor grau de sustentação.  Trata-se de um processo auto-liquidante ao ignorar o sistema natural no qual se insere, do qual depende em 100% para sua concretização. 

O nada a comemorar também se aplica a um modelo de consumo e produção que alijou as pessoas do processo, criando um sistema moderno de escravidão que talvez na forma seja mais ameno, mas em abrangência nunca foi tão amplo como agora.  Ninguém tem poder algum para interferir positivamente no processo, exceto os 6.000 integrantes da superclasse apátrida e invisível que cria um grupo de celebridades via uma indústria de marketing que estão na sola dos seus sapatos. 

Apesar disso, ainda temos uns iluminados falando no poder da sociedade para transformar as empresas e suas práticas.  É de um autismo total: se pegarmos cada uma das iniciativas, vamos ver que as implicações publicitárias são enormes, mas as mudanças são praticamente nulas. Por exemplo, no balanço dos bancos se procurarmos quais operações de créditos foram bloqueadas pela análise de crédito socioambiental, encontraremos nenhuma ou praticamente nenhuma.  Ou seja, apesar dos descalabros socioambientais avassaladores que estão despencando sobre nossas cabeças (o fim da água de São Paulo iminente é apenas um deles), o fluxo de crédito segue inalterado como se estivéssemos num mundo de empresas magnânimas como Alice no Páis das Maravilhas.

Ah, é um desfrute caloroso para o espírito ler os textos de transformações induzidas pela sociedade.  Arremata aí com o mercado sendo capaz de dar os sinais corretos com a escassez de petróleo e induzir um boom de energia renovável.  Erro duplo: primeiro porque energia renovável tem limitações tecnológicas severíssimas, algo que ninguém quer ouvir, principalmente os vendedores dessa idéia como salvação do planeta e segundo porque o boom que o mercado está produzindo é de mineração submarina, ataques ao Alaska, Alberta, “shale gas”, etc.  Finalmente, não podemos esquecer: 73% da energia produzida é simplemente desperdiçada, mas o PIB é feito de desperdício, guerras e destruição e mede o sucesso das economias, portanto... melhor para nós é manter o desperdício e a geração de lixo grosseira que desmantela nossos ecossistemas.

Autismo novamente. O autismo aqui não é uma referência pejorativa, até porque minha irmã mais velha era autista.  Isso é apenas uma analogia de como o discurso atual parece que está acoplado a uma realidade fantasiosa impossível de ser vista ou percebida.  Os autistas não aprendem a falar (minha irmã só falou aos 16 anos, isso porque segundo os médicos possuía um QI elevadíssimo) porque não escutam nem vêem nada a sua volta, embora os sentidos estejam perfeitos.  O autismo dos economistas atuais explica grande parte das suas conclusões e propostas.   As eleições estão ricas deles, mesmo os que não são economistas mas colam no discurso clientelista e interesseiro dos economistas que só falam o que eles querem ouvir e não o que nossa ciência deveria mostrar. Excetuando o Eduardo Jorge que fala de entropia e Marina Silva que pensa nas questões socioambientais, mas ainda não na visão da entropia, o resto parece estar ainda com vendas nos olhos.

A venda nos olhos de todos os sete bilhões de habitantes coloca nossa espécie animal como uma das mais burras da Terra. E consequentemente, duramente ameaçada.  Quando ficarmos sem florestas, sem chuva, sem água e sem alimentos, aí sim acho que iremos discutir a revogação desse paradigma econômico de crescimento quantitativo a qualquer custo dentro de um planeta finito como a Terra.  Mas com certeza poderá ser tarde demais.  Sem perdas já sabemos que é impossível, não dá mais tempo para uma mudança sem perdas. Até porque as perdas já estão sendo contabilizadas desde o final dos anos 1990.


Nada a comemorar
CELSO MING
02 Outubro 2014 | 21:00
Não há nenhuma indicação de que esteja em curso uma recuperação sustentável da produção industrial.
Agosto foi melhor do que julho para a atividade da indústria. Cresceu 0,7%, com ajustes que levam em conta as variações sazonais. É um resultado um tanto inesperado, que merece atenção pelo simples fato de que se trata do segundo avanço mensal consecutivo – embora ainda pequeno – depois de cinco meses seguidos de queda.
Mas, decididamente, não dá para comemorar. Não há nenhuma indicação de que esteja em curso uma recuperação sustentável da produção industrial. Toda a economia fraqueja e o nível de confiança do empresário segue despencando, o que também é prenúncio de que a fase ruim tende a continuar. Nos oito primeiros meses de 2014, os resultados do setor são ruins: queda de 3,1% sobre igual período de 2013.
ProdIndlAGO2014
A disposição de investir por parte da indústria quase não existe, como vai sendo mostrado pelo desempenho do setor de bens de capital (máquinas e equipamentos). Nos oito primeiros meses deste ano, esse subsetor ostenta queda de produção de 8,8%. O número ruim é reforçado pelas estatísticas de importação de bens de capital que, em 2014, até setembro, mostram recuo de 5,7% quando comparado com igual período do ano passado.
Isso reforça a impressão de que ainda está longe o movimento de modernização do parque produtivo da indústria, hoje envelhecido. Seu maquinário tem, em média, 17 anos, contra 7 a 8 anos nos países que concorrem mais diretamente com o Brasil (dados do Ministério do Desenvolvimento). E, se não há a perspectiva de modernização do parque produtivo, também não há a de ganhos de competitividade. Ou seja, a indústria brasileira não terá condições de reagir para conquistar mais fatias do mercado externo e deve continuar perdendo mercado aqui dentro para o produto importado.
As autoridades do governo Dilma vêm repisando que o comportamento da produção no segundo semestre será melhor do que o do primeiro. Esse resultado melhor não pode ser descartado, mas se ele se confirmar, não deverá indicar uma virada firme do setor. Seria construído sobre uma base muito fraca, sem arranque para os meses seguintes. É como comparar o desempenho de uma mesma tartaruga medido na subida com o produzido no terreno plano. É muito difícil que, ao longo de todo 2014, a contribuição da indústria para o PIB deixe de ser negativa.
Enquanto não ficarem mais claras as diretrizes de política econômica que prevalecerão a partir de 2015, o empresário brasileiro permanecerá na defensiva, adiará decisões mais importantes e tenderá a perder ainda mais confiança na recuperação. Mas do ponto de vista de quem tem responsabilidade pela administração de um patrimônio – e não só de uma indústria – essa atitude de esperar e ficar olhando pode ser ruim.
Como a Coluna desta quinta-feira procurou mostrar, mesmo se a presidente Dilma vencer as eleições, parece bem mais provável uma virada na política econômica do que a manutenção pura e simples das atuais condições fortemente desfavoráveis. Se isso se confirmar, o administrador que tiver permanecido parado, poderá reagir tardiamente e perder oportunidades de sair na frente.
CONFIRA:
ICECConfiancaSET2014

O índice de confiança do Comércio também continua lá embaixo.
Desencontro
Nesta quinta-feira, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, observou que a economia mundial evolui de forma desigual. O Fed, o banco central dos Estados Unidos, prepara-se para começar a retirar moeda do mercado. Enquanto isso, o Banco Central Europeu ainda não começou a injetar moeda. O G-4, o G-7, o G-8 e o G-20 foram criados para coordenar a economia mundial. Com o mesmo objetivo, os presidentes dos grandes bancos centrais se reúnem em Basel. E o resultado é esse aí.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Mais uma da série: "Querida, acho que destruí o mundo com minha SUV, meu churrasco, minhas viagens para Disney e meus eletrônicos"

Por favor se comentar deixe um email para contato.

Previsão que já circula por aí é que em poucos anos a aviação estará inviabilizada pelas alterações atmosféricas. Assim como aconteceu com o começo da aviação nos anos 1950, quando as janelas quadradas foram convertidas para ovais e evitavam a ruína do casco do avião em pleno vôo como começou a acontecer com frequência.  Dessa vez o caso será mais sério, antes foi só uma questão de engenharia que ceifou muitas vidas até ser descoberto o motivo, agora será uma alteração global na atmosfera.  Há alguns que dizem que certos males virão para o bem. O Financial Times escreveu que o transporte aéreo já se tornou o inimigo ambiental número um.

Inmet confirma tornado em Brasília, o primeiro da história do DF


Fenômeno registrado na capital é semelhante aos de grandes proporções que causam prejuízos nos Estados Unidos e na Ásia. No entanto, há várias categorias e o de Brasília é um dos mais leves, de categoria 0 ou 1. A escala vai até 5.
·         Notícia

·         Vídeo

Renato Alves
Publicação: 01/10/2014 18:08 Atualização: 01/10/2014 19:40


Leitores do Correio Braziliense registraram um tornado próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília, durante a forte chuva desta terça-feira, que acabou causando estragos no terminal aéreo e fechando a pista para pousos e decolagens. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é a primeira vez que um tornado é registrado e confirmado no Distrito Federal. O fenônemo foi considerado de pequena proporção e aparentemente não ofereceu risco por ter acontecido em uma área descampada.
Tornado registrado perto do Aeroporto de Brasília (Kleber Alves dos Santos/Divulgação)
Tornado registrado perto do Aeroporto de Brasília


O tornado registrado na capital é semelhante aos de grandes proporções que causam prejuízos nos Estados Unidos e na Ásia. No entanto, há várias categorias e o de Brasília é um dos mais leves, de categoria 0 ou 1. A escala vai até 5.

A imagem do alto desta página foi enviada ao Correio pelo sargento Kleber Alves dos Santos, do Grupamento de Aviação Operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, que tem um hangar no aeroporto. Já a imagem abaixo é do leitor Alexandre Rios, feita a partir do Anexo I da Câmara dos Deputados.
Imagem feita a partir do Anexo I da Câmara dos Deputados (Alexandre Rios/Divulgação)
Imagem feita a partir do Anexo I da Câmara dos Deputados

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Mais uma da série: "Querida, acho que destruí o planeta"

Por favor se comentar deixe um email para contato.

Somos todos um, do ponto de vista biológico. Charles Darwin escreveu que nada diferencia o ser humano dos demais animais.  Essa perda ou extinção é aterradora, porque podemos ter certeza, ela irá se voltar contra nós. Portanto, é muito importante que todas as atividades acessórias que estão sendo criadas (energia limpa, sustentabilidade, mecanismos de desenvolvimento limpo, economia verde, precificação dos serviços da natureza, tecnologias, crédito socioambiental, investimentos responsáveis, etc.) consigam provar ou mostrar que esse quadro de extinção da vida e de mudança climática está sendo revertido com essas atividades.  Se a resposta for não, temos que rever todas essas propostas e entender porque elas estão dando com os burros n´água.

Planeta perdeu 50% de sua fauna em 40 anos

Herton Escobar
30 setembro 2014 | 17:02
http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/files/2014/09/hi_257770-1024x681.jpg
Um gorila das montanhas em Ruanda, país assolado por pobreza e guerras. Foto: © Andy Rouse / naturepl.com

O planeta perdeu metade de seus animais nos últimos 40 anos, segundo um relatório divulgado hoje pela rede WWF, em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres. Segundo o estudo, chamado Living Planet Report (Relatório Planeta Vivo), ao mesmo tempo que a população humana cresceu substancialmente, a população global de animais vertebrados terrestres, aquáticos e marinhos encolheu 52% desde 1970.
Em outras palavras, o número de animais em terra firme, nos rios e nos mares de todo o planeta (a soma de todos os elefantes, ursos, tucanos, onças, peixes e baleias, etc) caiu pela metade em menos de meio século, enquanto que o número de seres humanos seguiu o caminho inverso: praticamente duplicou no mesmo período, passando de aproximadamente 3,5 bilhões para mais de 7 bilhões de pessoas. Uma coisa, obviamente, tem tudo a ver com a outra.
E a tendência é que a situação piore ainda mais daqui para frente, considerando que a população humana global poderá passar de 12 bilhões de pessoas até o final deste século, conforme relatei na semana passada, no post: Água no feijão, que mais 5 bilhões de pessoas vêm aí
O quadro mais preocupante é justamente na “casa do Brasil”, a América Latina: a redução populacional dos vertebrados no continente foi de 83% desde 1970, segundo o WWF.
Apesar de não ser uma publicação científica propriamente dita, o relatório está em consonância com vários trabalhos publicados por cientistas nos últimos anos, que apontam nessa mesma direção de uma “sexta extinção em massa” provocada pelo homem. Em julho, a revista Science publicou uma edição especial dedicada ao tema, com o título Vanishing fauna(Fauna em desaparecimento). Um dos artigos da edição, intitulado Defaunação do Antropoceno, é de co-autoria do pesquisador brasileiro Mauro Galetti, da Unesp de Rio Claro. O artigo destaca que 322 espécies de vertebrados terrestres foram extintas desde o ano 1500, e que as populações das espécies remanescentes mostram declínios da ordem de 25% para vertebrados e 45%, para invertebrados.
Um planeta e meio. Segundo o relatório, a espécie humana já consome e deteriora recursos naturais (incluindo itens básicos de sobrevivência como água, comida e fertilidade do solo) numa velocidade 50% maior do que a Terra é capaz de repor naturalmente. O que significa dizer que, pelas nossas práticas atuais de consumo, nós precisaríamos de um planeta 50% maior para garantir nossa sobrevivência a longo prazo.
Precisaríamos de 1 Terra e meia; mas, infelizmente, só temos 1. Qual a consequência disso para o futuro? Basta pensar no que aconteceria se você gastasse 50% mais do que o valor do seu salário a cada mês: Você pode até viver uma vida de bacana por um tempo, mas em algum momento a conta chega, e aí a casa cai.
Os números de biodiversidade do relatório são baseados na avaliação de mais de 10 mil populações de mais de 3 mil espécies de vertebrados de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes. (ou seja, não leva em conta os invertebrados, como insetos e moluscos, que também passam por maus bocados)
Abaixo, mais alguns destaques do sumário executivo do relatório, que pode ser baixado aqui: http://goo.gl/DJCFim. A versão na íntegra, em inglês, está disponível aqui: http://goo.gl/rtMHq4
http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/files/2014/09/rinoceronte-semhorn.jpg
Um jovem rinoceronte que teve seu chifre arrancado por caçadores. Veja reportagem: Matança de rinocerontes é recorde na África do Sul
Espécies Terrestres:
“Espécies terrestres diminuíram 39% entre 1970 e 2010 e esta tendência não mostra sinal de desaceleração. A perda de habitat para abrir o caminho para atividades humanas – particularmente para a agricultura, desenvolvimento urbano e geração de energia – agravada pela caça, continua a ser uma grande ameaça.”
http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/files/2014/09/P1040135.jpg
Peixe fisgado no Sri Lanka. Foto: Herton Escobar/Estadão — Veja reportagem sobre a crise da pesca em São Paulo: Cadê o peixe que estava aqui?
Espécies de água doce:
“O LPI (Living Planet Index) de espécies de água doce diminuiu em média 76%. As principais ameaças para espécies de água doce são a perda e fragmentação de habitat, poluição e espécies invasoras. Mudanças no nível da água e conectividade dos sistemas de água doce – causado, por exemplo, por irrigação e represas de usinas hidrelétricas – têm um grande impacto nos habitats de água doce.”
http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/files/2014/09/14-Smooth-Stingray_Australian-National-Fish-Collection-CSIRO1.jpg
Uma raia marinha australiana. Foto: Australian National Fish Collection, CSIRO — Veja reportagem: 25% das raias e tubarões correm risco de extinção
Espécies marinhas:
“Espécies marinhas diminuíram 39% entre 1970 e 2010. A redução mais acentuada aconteceu no período entre 1970 e meados dos anos 80, seguido por um período de certa estabilidade, antes de outro período de declínio em anos recentes. As reduções mais marcantes são nos trópicos e Oceano Austral– espécies em declínio incluem tartarugas marinhas, várias espécies de tubarões, e grandes aves marinhas migratórias como o albatroz-errante.”

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tecnologia viabiliza crescimento com menor impacto socioambiental... mais um oxímoro

Por favor se comentar deixe um email para contato.

Tecnologia viabiliza crescimento com menor impacto socioambiental: isso é mais uma tese que choca não só pela crença, mas pela evidente dificuldade de se criticar ou mudar nosso modelo mental que nos trouxe até a situação de rota de colapso com a Terra, da qual não precisamos mais citar nenhum evento adicional para sua confirmação depois da notória perda de recursos hídricos em vários lugares do planeta, não só aqui no nosso quintal em São Paulo.

Lembro que nas nossas palestras muitos anos atrás comentamos que o maior risco do aquecimento global não era elevação dos oceanos ou aqueles cenários hollywoodianos de ruptura, mas o fim da água.  Hoje encontro pessoas que lembram esse comentário e como ele se tornou realidade. De nada adiantou, continuamos andando de automóveis e aviões, usando produtos descartáveis e gerando lixo aos bilhões de toneladas e todo mundo segue firme na crença que ser rico é ser feliz e como resultado disso, também devem acreditar que ao morrerem um monte de carro-forte “Brink” chegará antes na sua nova casa no Paraíso.

Tenho certeza que contra fatos não há argumentos e sigo Bertrand Russel que dizia para se ater aos fatos e não na realidade que gostaríamos de acreditar.  Gostaria de ouvir argumentos que derrubassem esse ponto:

Sobre a tecnologia, é mais um ferramental ideológico usado com o nosso modelo mental de crescimento moto contínuo gerando o mesmo resultado: mais pressão sobre os ecossistemas da Terra.  Um bom livro é o Huesemann & Huesemann, cujo título bem esclarecedor é “Technofix -  Why Technology Cannot Save Us or the Environment” [Por que tecnologia não pode nos salvar e o meio ambiente].  O uso da tecnologia é o mesmo de sempre: primeiro jogo um balde de lama na minha sala de visitas para depois uma máquina automaticamente limpar.  Nem se cogita, no modelo mental atual, não jogar o balde de lama na sala, pois economizaria tanto matéria (o balde e a lama) quanto a energia (no caso minha refeição diária que me deu força para esparramar a lama na sala).  Mas essa economia reduz o PIB. Daí vem a necessidade de mudar o cômputo do PIB que embora bem estudado jamais atingirá seu objetivo enquanto vigorar o modelo mental que não questionamos nunca. Somos como cachorros correndo atrás da cauda.

Isso é visto em todas as áreas.  Imagina um problema (produzir cosméticos desnecessários empurrados para todos via marketing) e a solução (obter matéria-prima para todo esse cosmético produzido na Malásia no lugar de florestas naturais via transporte transoceânico).  Como chamar essa atividade?  De sustentável?  Impossível, somente através de muita credulidade, matéria abundante entre os terráqueos, onde as crenças ainda não foram igualadas, mas estamos muito perto disso.  Por enquanto, para combater as emissões, sugerimos entupir os oceanos de algas turbinadas para coletar CO2, colocar na atmosfera espelhos para refletir a luz do sol no lugar das calotas polares e dessalinizar a água do mar. Essas e outras idéias brilhantes servem apenas para... aumentar o PIB, jamais revogar o modelo atual e transformar a Terra em uma tocha incandescente, nada mais.  Ah, como o gasto de energia é cavalar, nada como fazer tudo isso com energia nuclear. Depois chamar tudo isso de sustentabilidade é simples, fácil e indolor, embora a maior extinção da vida dos últimos 65 milhões de anos siga a passos céleres à nossa volta agora... Ah, os fatos...

Isso me faz lembrar um simpósio onde estava presente o Ray Anderson daquela famosa empresa de carpetes que explicava a sua intenção (nunca verificada) de devolver para a natureza tudo que a empresa dela tirava, lado a lado com a abertura de novas fábricas na China, expansão de negócios, de vendas, etc. etc. etc.  Até que uma pessoa do nosso grupo fez uma pergunta corajosa a ele, um dos maiores senão quase únicos baluartes da sustentabilidade empresarial: “Why the hell we need carpets?” [Por que raios precisamos de carpetes?]  Fiquei amigo dessa pessoa até hoje, embora a pergunta tenha passado despercebida para a maior parte dos presentes. Isso faz muitos anos, hoje sabemos que sustentabilidade empresarial não resolve o problema sistêmico, uma crítica pertinente, mas cegamente ignorada. Um baita sofisma de composição.

Em resumo, a tecnologia e a mudança de hábitos pode reduzir barbaramente a nossa pegada ecológica, gerar bem estar, mas para isso acontecer teremos que revogar o modelo mental atual, principalmente no âmbito empresarial, político e social. Mudar o PIB é mera consequência.  Enquanto pensamos em tecnologia, esquecemos do principal.  Criticar e revogar o pensamento econômico atual clientelista e mudar o modelo mental das pessoas de falsa superação dos limites da natureza, da qual nunca nos desvencilhamos. Muito ao contrário: Deus Perdoa sempre, os homens raramente, a natureza nunca.

Hugo Penteado

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Cadastramento rural ajuda a limitar as ocorrências

Por favor se comentar deixe um email para contato.

Difícil.  A teoria econômica atrapalha muito.  Economia Verde é um mito.  Em relação à natureza não somos produtores, mas consumidores. Só a natureza produz. Não existe Economia Não Verde. Fico pasmo de ver o mito de separação da teoria econômica neoclássica que destruiu nosso planeta e nossa sociedade ser abraçado por aqueles que supostamente trabalham para resolver esse dilema.  Esse mito de separação declara que a total separação entre o sistema econômico e natural é uma hipótese que não prejudica nenhuma conclusão. 

Nesses moldes para um economista uma árvore só tem valor quando derrubada ao chão. Bom, isso vale para todo e qualquer serviço ecológico, considerado um brinde dos deuses, inatingível por qualquer uma das nossas ações.  Ou seja: brincam de faz de conta: faz de conta que a floresta não está sendo destruída, faz de conta que a floresta continuará prestando serviços essenciais como regeneração e produção da água e do solo e do clima, e por aí vai.

Nós economistas não temos uma só variável nos nossos modelos que contabilize qualquer contribuição da natureza, seja o que for.  É o mito da separação.  Há outros mitos, na verdade esse ramo virou uma fábrica de mitos.

Difícil mudar as consequências, quando não se muda as causas. Acho muito pouco provável que a destruição das florestas seja interrompida seja aqui ou no resto do mundo.  Iremos nos tornar uma Ilha de Páscoa Global. Basta ver o que as empresas sustentáveis de cosméticos estão causando de destruição ao importar óleo de palma da Ásia.  Isso é uma atividade, mas todas vão na mesma direção.  Por mais evidências à nossa volta, seguimos sem mudança de rota alguma e as variáveis críticas seguem na sua inabalável deterioração exponencial ininterrupta, enquando discutimos o sexo dos anjos.

Nem os paliativos (pagamentos de serviços ambientais, cadastramento rural, tributação ambiental, etc.) conseguem avançar.  Tudo é paliativo enquanto não mudamos nosso paradigma e nosso modelo mental.  Não somos deuses, somos só uma espécie animal a mais, entrelaçada e dependente do resto.

Abraço


Hugo


Cadastramento rural ajuda a limitar as ocorrências

Por Timóteo Camargo | Para o Valor, de Boa Vista
Andre Penner/AP
"Não existe bala de prata contra o desmatamento", afirma Justiniano de Queiroz Netto, gestor do Programa Municípios Verdes (PMV) do governo do Pará, que tem como meta zerar o desmatamento no Estado até 2020. Mesmo distante da solução cabal - de agosto de 2013 a julho de 2014 o número de alertas de desmatamento aumentou em 22% no Estado - as ações do programa criado em 2011 têm bons resultados e ajudam o Pará a vislumbrar um horizonte mais claro em sua relação com a floresta.
Nos três primeiros anos do PMV, a retirada de cobertura vegetal nativa no Pará caiu 21%, enquanto a redução média na Amazônia Legal foi de 9%. De agosto de 2013 a janeiro de 2014, o recuo alcançou 30% no Estado, segundo dados do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Um passo decisivo para a eficiência das ações de combate e contenção foi o avanço do Estado na adesão ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), do Ministério do Meio Ambiente. Em 2013, cerca de 37 mil imóveis rurais ingressaram no cadastro, totalizando mais de 105 mil imóveis rurais - ou 60% da área cadastrável no Estado. O CAR possibilita a gestão in loco das ocorrências observadas por satélite e o controle dos limites das áreas produtivas e restritas em cada propriedade. "O desmatamento está aumentando e nós sabemos onde. (O combate) é uma agenda que depende de estratégias", diz Netto.
Dos 144 municípios paraenses, 104 aderiram ao Municípios Verdes e seis sairam da lista de desmatadores.
Em um Estado com área equivalente a duas vezes o território da França, a municipalização da gestão ambiental é a chave do programa. A proposta do PMV é articular municípios, sociedade civil, iniciativa privada, Ibama e os Ministérios Públicos Federal e Estadual no combate ao desmatamento e no incentivo à produção rural sustentável. "Tudo começa com um pacto com a sociedade local, que deve entender que desmatamento não é sinônimo de desenvolvimento; que o desenvolvimento está ligado à sustentabilidade", afirma Justiniano Netto.
A adesão ao programa é voluntária. Porém, o ingresso ocorre por meio da assinatura do 'Pacto pelo Desmatamento Zero', junto ao Ministério Público Federal, o que garante estabilidade jurídica e política para a continuidade do programa. "O município não pode desistir de forma unilateral", explica.
O secretário municipal de Meio Ambiente de Paragominas, Felipe Zagalo, afirma que o documento torna o compromisso do município impessoal: "A pressão pelo aumento de áreas é enorme, mas nenhum prefeito quer estar envolvido com o desmatamento", diz.
Dos 144 municípios paraenses, 104 aderiram ao Municípios Verdes. Seis conseguiram sair da lista dos desmatadores da Amazônia mantida pelo Ministério do Meio Ambiente. Outros cinco estão próximos de deixar o rol, que, entre outras penalidades, impede o acesso a financiamento e embarga o comércio da produção rural local.
O Programa Municípios Verdes atua em duas frentes: a articulação interinstitucional e a regulação ambiental. A articulação inicia com a criação de um comitê gestor para estabelecer metas e estratégias em cada município. Também envolve ações de impacto local, como o estabelecimento do licenciamento ambiental em nível municipal, o treinamento de pessoal e o acesso do município ao sistema de CAR da Secretaria do Meio Ambiente do Pará.
O PMV funciona como secretaria especial da Casa Civil e, do ponto de vista da regulação, atua na revisão e atualização das normas de sustentabilidade no estado. O Governo do Pará criou em 2013 o ICMS Verde, que repassa aos municípios parte da arrecadação com o tributo estadual, de acordo com critérios ambientais. Também no ano passado, um decreto governamental garantiu aos municípios participantes do programa acesso a um processo especial de regularização fundiária, condicionado ao cumprimento das metas do programa.
A experiência de Paragominas foi a inspiração para o PMV. O município de 103 mil habitantes no Leste do Pará ocupou o posto de maior desmatador do Brasil e em dois anos virou o jogo para se tornar referência em sustentabilidade. Para isso assumiu plenamente a gestão ambiental. "Depois da municipalização, todos os nossos problemas são resolvidos aqui e com mais agilidade", afirma Zagalo.
O sistema de emissão de licença ambiental por meio de audiências é um exemplo da inovação do município. O primeiro encontro é marcado para cerca de 20 dias após o processo ser protocolado pelo proprietário. Fábio Patto Kanegae, diretor administrativo da New Agro Comércio e Representações obteve em agosto a licença para um projeto da empresa. Ele afirma que, além de ajudar no planejamento, o procedimento traz segurança e evita problemas com fiscalização: "Todas as confrontações, limites e formas legais do projeto são tratados na audiência e você sai sabendo de fato o que pode fazer na propriedade", afirma. "Da entrada à liberação não deu 60 dias. Antes, quando era em Belém, chegava a levar mais de um ano", conta.
Nos próximos meses, o Programa Municípios Verdes se prepara para expandir a atuação, com foco sobretudo nos municípios menos povoados ou com dificuldades orçamentárias. O programa aprovou junto ao Fundo Amazônia do BNDES um projeto no valor de R$ 82,4 milhões para realizar e entregar ações direto ao produtor sem onerar o município. Da primeira parcela já na conta do programa, R$ 10 milhões serão licitados para a realização do CAR.
O projeto prevê a criação de 11 bases locais para atender de três a quatro municípios cada. "O Pará é grande e pretendemos ter essa capilaridade por meio de consultorias", explica Justiniano Netto.