segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Situação da água no estado de São Paulo e do Rio de Janeiro

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Prezados estudiosos, professores, cientistas, profissionais de várias áreas, amigos,
Não sei por onde começar, mas a situação da água em São Paulo parece assustadora.  Imagina o colapso que irá resultar caso a estação de chuvas seja fraca no final desse ano.  Imagina o que já está acontecendo com um sem número de famílias nos municípios já atingidas por um racionamento de água.  Falta de água é muito pior, dizem os especialistas, do que falta de energia, em termos de impacto nas atividades econômicas, principalmente urbanas. O que podemos fazer?
Em primeiro lugar, se queríamos uma prova do erro dramático do sistema econômico atual de crescimento contínuo, completamente irracional, que agrega atividades geradoras de PIB mas desagregadoras do ponto de vista socioambiental, dentro de um espaço finito que é a Terra, agora temos:  crise hídrica num dos maiores conglomerados populacionais do planeta (figura 1). Como é possível aumentar a demanda exponencialmente por um recurso finito como a água (e também pelos serviços ecológicos, solo)?  Ganhos tecnológicos têm limites e a menos que pretendamos alcançar a proeza de produzir do nada, os ganhos de eficiência foram e serão sempre superados pela escala produtiva anormal, com piora também exponencial de todas as variáveis críticas dos sistemas de sustentação da vida.  Para economia ecológica a questão da água é um desafio que deveria ser abraçado com paixão: quais são as causas? quanto o evento climático em São Paulo extremo explica? o que poderia ter sido feito? qual a recomendação futura de forma geral?  Os reservatórios estavam em queda desde 2010, sabemos que destruição de mananciais, desmatamento, destruição de nascentes, o rodoanel na APA Bororé, a falta de investimentos para conter a perda de água no sistema de distribuição e desperdício alucinante dos consumidores tudo isso contribuiu para germinar essa crise.  O extremo climático pode ter sido a pá de cal num processo cujo resultado talvez não seria diferente disso, só um pouco mais distante no tempo.
Figura 1
Agora sabemos que não é só o reservatório da Cantareira (abastece 45% da população munícipe de São Paulo, figura 2) que está crítico, mas outros também e não é só no município, mas no estado inteiro e também no Rio de Janeiro.  E não é só água, na parte de geração de energia também há riscos.  Enquanto continuarmos estudando economia pelo fluxo do PIB, que não tem conexão alguma com o meio ambiente do qual depende, considerando a Terra um subsistema da economia que não vê limites ecológico-planetários, o resultado não será diferente.  Não dá mais para acreditar não haver limites ao crescimento material e aumento contínuo de demanda por energia.  A atividade sócio-econômica tem que ser vista do ponto de vista de fluxo de matéria e energia e seus impactos sociais acima de tudo, porque sem salvação social não haverá salvação ambiental.  Por esses fluxos sabemos que só há duas opções pela frente: ou desmaterializamos a economia ou desmaterializamos a vida.  Optamos até agora com o pé no acelerador pelo segundo: estamos no meio da maior extinção em massa da vida desse planeta de forma endógena, sempre com a enorme ingenuidade de achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores.  Na biologia somos todos um.
Figura 2
Água é um recurso finito. Para aumentar esse recurso precisaríamos de uma nova chuva de meteoros durante milhões de anos.  Esses dois períodos de chuvas de meteoros de milhões de anos ocorreram na história da Terra quando a vida não existia e nossa espécie animal só chegou aqui quase no último segundo. Somos claramente irrelevantes para o planeta e a filosofia do “nunca morri” não deve continuar.  Enquanto escrevo esse email, significa que não morri, mas significa que não morrerei um dia?  O planeta nunca expulsou a humanidade, significa que nunca expulsará?  A irracionalidade desse sistema baseado em desperdício, ineficiência e no jogar fora, tudo submetido a crescimento exponencial, com cidades tendo mais nascimento de carros do que de bebês e com a população aumentando 300.000 habitantes por dia, já descontados os mortos, é muito evidente para acharmos que podemos continuar nessa mesma trajetória sem nada mudar.   Será que a situação da água não pode nos ajudar a revisar o atual paradigma econômico, a teoria econômica falsa e despertar em nós a consciência que devemos ter sobre a nossa relação como espécie animal nesse planeta?  John Maynard Keynes escreveu que “no longo prazo todos estaremos mortos”.  Nicholas Georgescu Roegen criticou essa frase ao dizer que “como espécie animal somos praticamente imortais.”  Isso para lembrar a questão moral de não continuar agredindo a capacidade do planeta sustentar a vida com um sistema econômico em rota completa de colisão com a Terra.   Não adianta inventarmos mais nomes (economia verde, economia do meio ambiente, sustentabilidade, mecanismos de desenvolvimento limpo, etc.), porque não existe economia sem ser verde, sem envolver o meio ambiente e não existe ausência de sustentabilidade.  Se nosso sistema atual insistir nessa rota de colisão, o planeta irá restaurar a sustentabilidade à nossa revelia e sem a nossa presença.  Como Roegen disse “seremos capazes de entregar a Terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana”, afirmação depois referendada pelos estudos de paleontologia sobre o atual processo de extinção.
O sistema econômico tem que mimetizar a natureza: (i) deixar de ser linear, para ser cíclico, (ii) deixar de ser degenerativo,  ineficiente e com enorme desperdício de matéria e energia para ser regenerativo, eficiente, e (iii) deixar de ser infinito ou submetido a crescimento exponencial infinito para ser finito, tal como é a Terra, enxergando os limites ecológicos.   Deixar de concentrar riqueza e renda para atender as necessidades humanas com mais oportunidades para todos. Isso requer abandonar as métricas estéreis a favor de mensurações que façam uso do conhecimento que temos de biologia, física, sociologia e ecologia, uma multidisciplinaridade.  Nada pode ser mais estéril que o conceito do PIB.  Mesmo para medir o bem estar social, embora seja a única justificativa desse ataque contra o planeta.
Não é hora de arregaçar as mangas? Ou podemos esperar mais evidências?

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Development without Deforestation - Desenvolvimento sem Desmatamento

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Vai para minha lista de leitura num futuro espero não muito distante.



Espero que o texto tenha respondido a seguinte pergunta:

Não é possível desenvolvimento, nos moldes atuais, baseado em crescimento econômico eterno de estruturas e populações humanas, sem desmatamento desenfreado à luz do que já ocorre hoje em várias partes do mundo, com os últimos ataques indo para Ásia, África, Canadá e ainda Brasil, cuja pretensão do setor agrícola é expandir a fronteira agrícola na Amazônia, conforme afrouxamento de legislação pertinente e seminários promovidos pelo “agribusiness”.  Ou seja, tal resultado só é possível com uma revisão total do modelo e teoria econômicos que não enxergam nenhum limite ecológio ou físico para suas pretensões de expansão contínua.

Os únicos lugares sem desmatamento na Terra hoje são onde já se desmatou tudo que era possível e agora conseguem manter e reflorestar com matas secundárias com a ajuda do comércio global, transferindo produção suja para países sem compliance ambiental algum, como se os mapas dos países realmente existissem sobre o nosso planeta, que na verdade é uno e não há salvação ambiental enquanto os estragos ecológicos não forem atribuídos aos seus principais responsáveis e todos enxergarem os limites planetários.

Portanto, fim do desmatamento somente quando sairmos da economia submetida a crescimento exponencial, baseada em desperdício e ineficiência, cujas tecnologias só servem para piorar as varáveis críticas.  Precisamos usar as tecnologias existentes mas esquecidas para reverter o ataque da humanidade contra os ecossistemas e estabilizar os danos dos quais já teremos consequências inevitáveis, devido ao atraso e a permanência do estrago feito no planeta. 

Dessa guerra contra os ecossistemas jamais sairemos ilesos, vide a maior extinção em massa de espécies animais e vegetais da história desse planeta em curso hoje e é muita ingenuidade achar que tal extinção não irá se voltar contra os causadores.  O pior desse extinção é que ela é endógena, não é um asteróide que está para colidir com a Terra, está sendo fabricada pelo nosso sistema econômico linear, degenerativo e infinito, dentro de um planeta finito, regenerativo e circular.  Está sendo mantido por uma mentalidade econômica ensinada para 100% dos estudantes de economia, pela qual se acredita corajosamente que a Terra é um subsistema da economia.  Nem precisamos dizer que a finalidade tautológica do crescimento pelo crescimento não tem como objetivo nenhum trazer ganhos sociais e ambientais para a humanidade, o que é mais pecaminoso.

O fim do desperdício de alimentos que terminam no lixo, por exemplo, já seria suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas por um ano.  Disseminação de nutrição saudável e de produção local de alimentos com princípios bio-orgânicos tem o poder de reduzir em 80% o impacto nos ecossistemas e alimentar muito mais pessoas.

Revisão do sistema de transportes, saindo do extremo da economia global (produção há milhares de quilômetros) para produção local, com o fim de viagens aéreas e no lugar vídeo-conferências, além de trocar turismo global por turismo local com a finalidade das comunidades se conhecerem mais e se preservarem tem um poder de redução do impacto sobre os ecossistemas não menor.

O fim do lixo, que é mantido graças aos lucros polpudos que abastecem empresas e empreiteiras, também teria o poder de reduzir o impacto de forma vultosa.

Enfim, é preciso achar outro modelo no lugar do modelo atual da casa-carro-viagem-ao-exterior que determina as vidas sem sentido e comezinhas da população humana que vive esse modelo e
daqueles muitos ou a maioria que desejam vivê-lo, sem saber que jamais conseguirão, por mais que eudeusem as celebridades inventadas.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

REINVENTANDO A RODA...

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 Um dos fatos mais impressionantes dos dias atuais pode ser resumido numa frase de Einstein: “O maior sintoma de loucura tos tempos atuais é querer sempre fazer as mesmas coisas esperando resultados diferentes.

Dois comentários sobre duas duas séries da TV:

Do Jornal da Globo sobre a dura batalha dos chineses contra a poluição. A realidade dramática de uma nação castigada pela fumaça do carvão e dos veículos automotores. O material pode ser replicado e se presta a múltiplos usos, inclusive - ou principalmente - pedagógico.     

Um dos maiores mitos da atualidade é que o mundo rico é limpo, sem poluição e que o problema se restringe à China e aos países atrasados.  Enquanto se supõe erradamente que os países ricos encontraram a fórmula de aliar elevada riqueza a um meio ambiente limpo, mito amplamente abraçado por vários iluminados e pessoas incapazes de desferir qualquer crítica ao nosso sistema, seguimos firmes com o mito tão propalado pelo Banco Mundial: “O problema da poluição e da destruição das florestas é um problema dos países pobres.  Os países ricos deixaram para trás esses problemas. Para resolver o problema nos países pobres, enriqueça-os.”    Em outras palavras, todos copiem o modelo dos países ricos.   A verdade é que os avançados não só tem sérios problemas de poluição, como diminuíram o agravamento desse problema para países fora de suas fronteiras e a custo zero via comércio global. Sim, o custo da poluição e da destruição do clima e dos serviços ecológicos sem os quais não haverá vida mais na Terra é zero, e isso não mudar mesmo com as mágicas do Pavan Sukdev.   Enfim, nos EUA o problema é seríssimo também, “shale gas” é a cereja do bolo.  O letreiro Hollywood é frequentemente apagado pela poluição. Paris ficou imersa na mesma poluição a ponto de não ser possível ver a Torre Eiffel e o prefeito proibir trânsito de automóveis e dar passagens de ônibus gratuitas aos usuários.  Se Estados Unidos estivessem sozinhos na Terra, cercados por oceanos, sem comércio global algum, já teriam entrado em colapso total há muito tempo. Aqui em São Paulo vivemos numa bolha marrom. Isso não é um problema chinês, é um problema do modelo econômico e da teoria econômica autista falsa, que acredita que a Terra é um subsistema da economia, quando é justamente o oposto.  Nesse modelo, não existe limites ecológicos e o sistema econômico pode ser maior que o planeta.

A BBC lançou uma série sobre consumismo (3 episódios, total 3 hrs), chamada Os Homens que Fizeram Agente Gastar: desvenda os segredos do porque nós compramos. Jacques Peretti investiga o que nos mantém viciados em gastos, e enfrenta (entrevista) alguns dos homens por trás de alguns produtos mais vendidos no mundo, e estratégias de vendas que começam dentro de nossa mente. (Mas não chega aos impactos ambientais do fenômeno).  Links da BBC e da Open University sobre a série:



O item 2 é antigo, Nicholas Georgescu-Roegen, cuja crítica irrefutável encontra sem o menor uso na atualidade, falava muito sobre isso no final dos anos 1960. Estamos atrasadíssimos.  Ele satirizava os comerciais de aparelho de barbear descartáveis e escreveu em um de seus textos: “use o cinzeiro do seu carro e jogue ele e o cinzeiro no lixo”.  Ele foi um grande crítico da “throw-away” economy. Essa economia, se continuasse (e continuou a despeito de sua contribuição que foi ignorada), seria capaz de entregar, segundo Roegen, a Terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana, a qual não faremos nem mossa, como escreveu Stephen Jay Gould.  Pelo menos a vida bacteriana irá se salvar, enquanto São Paulo já ficará terrivelmente sem água e ninguém fala sobre isso. Sim, a economia do desperdício e do consumo suicida se formou nos últimos 50 e 60 anos e nenhum poder vigente quer alterá-la, porque vivemos sob a égide da maximização de lucros que só se materializa com vendas financiadas por emissão monetária e de crédito sem lastro dos bancos centrais ao redor do orbe e caminhamos para uma nova crise, igual a anterior, mas cada vez mais difícil de ser resolvido (se é que será resolvida).  E essa economia do marketing funciona bem, porque aquilo que mais agrada o ser humano é a desgraça alheia e o que mais incomoda é a felicidade alheia. Para vender só associar felicidade ao sucesso e o sucesso ao consumo de bens inúteis, foi essa a fórmula encontrada no período entre guerras mundiais, como descreve Jeremy Rifkin no seu livro O Fim do Emprego. O mais importante é que o consumo não é mais financiado pela renda do trabalho, que estagnou nos países ricos, mas pelo crédito lastreado em bolhas de ativos...  Bom lembrar que o marketing é o segundo maior orçamento empresarial do planeta, só perde para a indústria das armas.  Uma empresa de insumos agrícolas ficou um pouco preocupada com os orgânicos, mas afinal disse: “Temos o marketing”.   Mudar para quê?

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Cai poluição de riachos da Serra do Mar (SC)

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Comentário:

Solução tem e mais do que suficiente para evitar o pior, embora estejamos atrasados mais de 50 anos.  O que não tem é um diagnóstico claro, que impõe claramente a mudança do modelo e não perfumarias acessórias, além de vontade política para mudar o atual modelo.  Não por essa ordem, porque se houver vontade política com o diagnóstico equivocado atual, o resultado será pior. 

O diagnóstico correto significa avaliar friamente todo o blablablá de economia verde, sustentabilidade, mecanismo de desenvolvimento limpo, energia limpa, etc. e verificar se mesmo que tudo isso seja implementado (porque até agora nada foi feito), se a piora das variáveis críticas será revertida.  Até agora, só para registro, as variáveis críticas continuam piorando exponencialmente junto com o crescimento exponencial do PIB.

Tem que haver uma relação de causalidade entre dignóstico, medidas propostas e reversão do colapso planetário social e ambiental.  Desconfio que as pessoas acham que essa relação de causalidade não é necessária, o que não surpreende muito, dado o estágio profundamente inicial de mudança que ainda estamos.

Cai poluição de riachos da Serra do Mar (SC)

Um projeto piloto [  http://www.ra-bugio.org.br/projetosemandamento.php?id=36  ] de baixo custo reduziu consideravelmente a poluição por esgoto doméstico de riachos da Serra do Mar na localidade de localidade de Itoupava-Açu, no Município de Schroeder (SC).

O projeto foi idealizado pelo Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade, ONG sediada em Jaraguá do Sul, com financiamento do FEPEMA - Fundo Especial de Proteção ao Meio Ambiente de Santa Catarina.

Consistiu na instalação de 47 fossas sépticas com filtro nas residências de famílias de baixa renda e um programa de educação ambiental com as escolas públicas de Schroeder, Jaraguá do Sul e Guaramirim, da região cortada pelo rio Itapocuzinho que recebe água dos afluentes beneficiados pelas ações do projeto.

Nas atividades educativas ao ar livre, parte dos estudantes foi conduzida até os locais onde foram instaladas as fossas sépticas para observar a gravidade dos problemas ambientais decorrentes da poluição dos riachos da Serra do Mar devido ao lançamento de esgoto doméstico sem tratamento.

Para se verificar a eficácia do projeto foram coletadas amostras da água em determinados pontos de quatro afluentes do rio Itapocuzinho contaminados por esgoto doméstico, antes e depois das instalações das fossas sépticas, em fevereiro e julho deste ano. As amostras foram enviadas para um laboratório fazer a contagem do número mais provável (NMP) de coliformes fecais, que é a densidade média de bactérias Escherichia colipresentes em 100 mililitros de água, um teste padrão para se determinar a contaminação da água.

O grupo de bactérias coliformes é considerado como o principal indicador de contaminação bacteriológica de origem fecal e determina a segurança do uso da água. O teste de contagem de coliformes fecais é empregado para se avaliar a poluição de cursos de água, eficiência de desinfecção de sistemas de tratamento de água, de efluentes industriais e domésticos, balneabilidade de praias e monitoramento sistemático para classificação da qualidade da água de rios.

Os resultados obtidos da contagem de coliformes fecais (NMP/100 ml) antes e depois das instalações das fossas sépticas foram:

Local de coleta
ANTES
DEPOIS
Ponto 1
1454
156
Ponto 2
34480
486
Ponto 3
32550
3452
Ponto 4
3180
379
Ponto 5
1870
62

O projeto não teve a ambição de acabar com a poluição do rio Itapocuzinho, mas de demonstrar que é possível por meio de medidas de simples reduzir significativamente a contaminação por esgotos domésticos em uma boa extensão de todos os rios e riachos da Serra do Mar, devolvendo a grande diversidade de vida para estes ambientes aquáticos.

Fotos do projeto e outras informações



Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul – Santa Catarina


Conheça o Centro Interpretativo da Mata Atlântica – Jaraguá do Sul



Acompanhe nosso Projeto de Educação Ambiental nas escolas para salvar a MATA ATLÂNTICA


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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Extinção da vida

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Extinção da vida precisa ser endereçada, pois segue a passos céleres enquanto todos alegam muita discordância sobre o clima, completamente infundada, mas facilmente explicada na presença de interesses focais de determinados grupos, assim como é no caso da defesa do cigarro, do buraco da camada do ozônio, da energia limpa, do CO2, do fim das florestas, da energia nuclear, dos transgênicos, enfim a lista aqui é infinda de idéias incapazes de reverter a nossa rota de colisão com a Terra – da qual nenhum de nós sairá vencedor.

Esse site abaixo é uma boa indicação de um amigo meu cientista que pensa como eu: parem de pensar nas consequências, atuem nas causas, uma vez que as evidências mais importantes de nosso erro sistêmico não podem mais ser negadas.

Outro ponto importante, não podemos mais ignorar as idéias de decrescimento do Serge Latouche, porque além de ser a única que dá uma resposta aos pleitos científicos, têm respaldo nos pensadores mais importantes, como Nicholas Georgescu Roegen, Clube de Roma, Schumacher e que no entanto, pela mesma presença de interesses focais não científicos de determinados grupos, seguem completamente ignorados e inefetivos até os dias de hoje.  O pleito científico atual diz que a humanidade se depara apenas com duas opções: ou desmaterializa a economia ou desmaterializa a vida. Até o momento, com todo o blablablá de sustentabilidade e seus adereços, estamos caminhando rápido pela primeira opção.

É sempre muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores. Nem que o planeta nunca irá se tornar inóspito para nossa espécie animal. A filosofia do nunca morri justifica essa esperança: enquanto escrevo esse email, significa que eu nunca morri, mas não significa que nunca morrerei.  Até agora o planeta nunca foi inóspito e ameaçador para nossa espécie animal e seus erros.  Nunca o será?

VI. Not to end on a sad note, BUT...Is human activity pushing the creatures on our dear Mother Earth into a 6th mass extinction? Sadly, many scientists are finding evidence that this may be so....we currently are causing species extinction at a rate equivlent to a mass extinction.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Poluição em Londres e em Paris, não só em Pequim!

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Construiu-se uma ideologia falsa que os países ricos não são poluídos e não tem problemas de poluição e as revistas ideológicas como The Economist sempre pró-crescimento a qualquer custo num planeta finito só falavam da poluição da China, como se a China estivesse fazendo alguma coisa diferente dos países cujo modelo ela copiou e cujo resultado é idêntico aos países de origem!!!

Para completar, a maior parte da produção chinesa tem dedo das corporações internacionais ali dentro que operam liberadas de rigores com a questão ambiental. A equação não fecha: ao deixar a China virar uma grande produtora mundial sem nenhuma restrição ambiental, os países ricos mantiveram seus territórios um pouco menos poluídos, mesmo assim, essa notícia de Londres e recentemente de Paris mostram que a poluição existe e em grau semelhante ao da China.   Surreal!!!  EUA e EUROPA, mesmo transferindo todo o custo ambiental e social via exportações para lugares sem controle algum como a China, conseguem ainda ter níveis de contaminação de água e de poluição arrasadores.  Uma prova que atingimos limite planetários de capacidade natural de limpeza dos resíduos lançados. E ainda queremos continuar crescendo essas estruturas, num ambiente finito e autoregulado, sem nenhum accountability...

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Brasil perdeu cerca de 24 mil campos de futebol de Mata

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Da Newsletter da SOS Mata Atlântica

No dia da Mata Atlântica (27 de maio), a Fundação e o INPE divulgam novos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica. Após dois anos da aprovação do novo Código Florestal, infelizmente a taxa de desmatamento nas áreas de Mata Atlântica continua a subir - aumentou 9% em comparação com o período anterior. O Brasil perdeu cerca de 24 mil campos de futebol do bioma mais ameaçado do país. É preciso que os brasileiros se mobilizem em defesa da nossa floresta.
 (FOTO: Flickr Creative Commons/Glauco Umbelino)


1)      Enquanto o modelo for esse – crescimento a qualquer custo, destruidor de empregos e oportunidades, apenas para concentrar renda, poder e riqueza nas mãos de poucos, o resultado não vai mudar. Temos que atacar a causa – modelo, teoria e modo de pensar das pessoas.  A destruição das matas é mera consequência, assim como uma das maiores extinções e a primeira extinção endógena da vida nesse planeta (esse termo vale explicar depois) ;
2)      Países que querem impor seu modelo ao resto do planeta como “solução”, embora estejam vivendo situações grosseiras, tem taxa de desmatamento zero simplesmente porque já desmataram tudo, a saber, Estados Unidos e Europa. São Paulo e Rio de Janeiro que são um espelho deles também não aparecem nas estatísticas, tem pouco ou nada para destruir.
3)      Enquanto a solução for na margem do sistema com idéias de tecnologia salvadoras, não há mudança de rota.

O sistema inteiro depende do crescimento que só se justifica através de mais crescimento, um fim em si mesmo.

Tudo indica que entraves ao crescimento alheios às observações da teoria econômica autista já sejam fatos corriqueiros no mundo, como por exemplo, falta de terra para expansão urbana, falta de água para expansão industrial, falta de solo para expansão agrícola, falta de renda familiar para consumo, falta de empregos para melhoria da qualidade de vida, etc.

As crises recentes são uma demonstração clara que o crescimento foi mantido mesmo com fatores contrários de forma qualitativa cada vez pior e sujeito a solavancos, via alavancagem de famílias e bancos, desequilíbrios financeiros grotescos, bolha de preços de ativos, corrupção e estelionato sem medidas contra as poupanças das pessoas, aumento da concentração de riqueza e renda, aumento do desemprego estrutural com um sem número de moradores de ruas em lugares que não haviam.

Para complicar ainda mais, temos evidências claras que a continuação do crescimento significa o fim da vida na Terra e a solução é mudar radicalmente esse modelo.  O mais incrível é que no meio disso tudo, uma estrutura forte de estabilizadores sociais e ambientais precisa ser construída para poder fazer a transição para um novo modelo equilibrado sem convulsões ou sofrimento exagerado das populações.

Hugo

Nossos destinos são determinados pelos que detém o poder de imprimir moeda (hoje,  bits  de computador;  Wall  Street, Federal Reserve, Bancos  Centrais,  The City) , que além de provocar  excesso  de oferta   (EUA pré  1929) , provocam   escassez  conforme   uma ou outra política maximize os  seus  lucros,  implementando  ou destruindo economias . Tudo indica que os objetivos das grandes corporações  e  dos bancos incluem retorno a curtíssimo prazo. Retorno rápido do capital investido. Exploram trabalho escravo e sub emprego. O Brasil é uma colônia de banqueiros  (  disse Gustavo Barroso) com “spreads” literalmente assassinos. A História vive de surpresas. Mas existe uma grande força empurrando na direção do caos climático, Como sabemos, porém, quase todo fenômeno econômico e social está prenhe com seu contrário. Aliás , Georgescu fala rapidamente sobre o conceito  da  dialética: uma  perturbação objetivando um movimento numa direção pode resultar no seus  contrário,  oposto ao resultado desejado.   Veremos.

Edison

O professor Paulo Roberto Silva tem uma tese interessante que faz sentido: a escassez é inventada pelo sistema, a começar pelas necessidades intermináveis dos consumidores e como na teoria se define bem econômico e bem natural. Mas Édison, acho que você como eu deve entender a nossa aflição com isso tudo.  Agora me dei conta o quanto o tema de sustentabilidade foi abandonado em todas as suas frentes nos últimos anos e após a crise de 2008.  Para pensar em sustentabilidade os capitães do sistema precisam de prosperidade na forma como eles pensam, através de depósitos polpudos em suas contas individuais.  Com bilhões nas nossas mãos eles dizem: “Ok, vamos pensar em sustentabilidade.”  Como se sustentabilidade pudesse ser um anexo do sistema e não o sistema inteiro, uma reviravolta nas idéias.  É muito simples, vamos parar de achar que a Terra é um subsistema da economia e inverter, é a economia que é um subsistema.  Vamos parar de achar que a economia só serve para alimentar grandes corporações inalcançáveis em termos de accountability social e ambiental e passar a exercer a sua influência na direção de ajudar as pessoas.

Ontem alguém viu o programa do Globo Repórter sobre jovens no crack? É isso. Como podemos andar pelas ruas, pagando 45% das nossas rendas em impostos a governos corruptos e viver numa extrema violência, em cidades totalmente poluídas, com insegurança hídrica crescente e com pessoas sem chances de absolutamente nada?

Aqui é crítico, mas o problema não é inexistente nos EUA. Se a métrica de determinar quem é desempregado em número de semanas não tivesse sido diminuída da época de Reagan, o desemprego não teria parado de subir nos EUA.  A medida de desemprego não é técnica, é política, a queda de desemprego tem que agradar os governos e não tem significado prática para a vida das pessoas. Nosso sistema, principalmente em se tratando dos jovens olhando seus futuros, está completamente desmantelado para atender os anseios e trazer oportunidades para todos. Cada vez menos sobra desse sistema para quem está nas suas franjas. É surreal. E nisso, dia a dia, reuniões de agropecuaristas querendo expandir a fronteira para produzir alimentos para o resto do mundo que não precisamos, enquanto nosso arroz e feijão agora é importado.

Quando será que poderemos determinar nossos destinos e sair dos universos elevadíssimos da academia científica de onde não desce quase nem uma migalha para os moradores do complexo do Alemão?

Hugo

Concordo inteiramente. O desmoronamento está integrado, e é econômico, social, e moral. Os fenômenos deste desmoronamento estão interligados. São subsistemas de um organismo, numa visão sistêmica,  holística.  São componentes  de um sistema complexo, interligados e  interdependentes, e a ser estudado como tal. Os problemas econômicos e ecológicos, ainda mais, são considerados “super wicked”, isto é, são problemas nos quais o  que se chama de “soluções “ , são na verdade  escolhas, opções,  cujas  consequências não são , digamos,  matematicamente determinadas. Eu tive o privilégio de poder apresentar um   trabalho sobre a natureza   “super wicked “ dos problemas ecológicos e econômicos, no encontro da  EcoEco em  Vitória, para uma estimulante e rara  audiência. Creio que o  título  foi “A questão dos problemas da classe “wicked” (WP) e “super wicked” (SWP) - Ecologia e Economia. Uma introdução” Se desejar mando uma cópia para seu e-mail.

As raízes da Economia e da Ecologia não estarão na Filosofia e na Moral?  Em cérebros como Adam  Smith; Emerson, Thoreau?


Citações pertinentes, especialmente a segunda:
“Stephen Hawking said, the present century will be the century of complexity. Heinz Pagels was more specific:
“I am convinced that the nations and people who master the new sciences of complexity will become the economic, cultural, and political superpowers of the next century (meaning the present century).”
De: “Complexity Explained”, disponível  em:


Edison