terça-feira, 2 de setembro de 2014

Development without Deforestation - Desenvolvimento sem Desmatamento

Por favor se comentar deixe um email para contato.

Vai para minha lista de leitura num futuro espero não muito distante.

Espero que o texto tenha respondido a seguinte pergunta:

Não é possível desenvolvimento, nos moldes atuais, baseado em crescimento econômico eterno de estruturas e populações humanas, sem desmatamento desenfreado à luz do que já ocorre hoje em várias partes do mundo, com os últimos ataques indo para Ásia, África, Canadá e ainda Brasil, cuja pretensão do setor agrícola é expandir a fronteira agrícola na Amazônia, conforme afrouxamento de legislação pertinente e seminários promovidos pelo “agribusiness”.  Ou seja, tal resultado só é possível com uma revisão total do modelo e teoria econômicos que não enxergam nenhum limite ecológio ou físico para suas pretensões de expansão contínua.

Os únicos lugares sem desmatamento na Terra hoje são onde já se desmatou tudo que era possível e agora conseguem manter e reflorestar com matas secundárias com a ajuda do comércio global, transferindo produção suja para países sem compliance ambiental algum, como se os mapas dos países realmente existissem sobre o nosso planeta, que na verdade é uno e não há salvação ambiental enquanto os estragos ecológicos não forem atribuídos aos seus principais responsáveis e todos enxergarem os limites planetários.

Portanto, fim do desmatamento somente quando sairmos da economia submetida a crescimento exponencial, baseada em desperdício e ineficiência, cujas tecnologias só servem para piorar as varáveis críticas.  Precisamos usar as tecnologias existentes mas esquecidas para reverter o ataque da humanidade contra os ecossistemas e estabilizar os danos dos quais já teremos consequências inevitáveis, devido ao atraso e a permanência do estrago feito no planeta. 

Dessa guerra contra os ecossistemas jamais sairemos ilesos, vide a maior extinção em massa de espécies animais e vegetais da história desse planeta em curso hoje e é muita ingenuidade achar que tal extinção não irá se voltar contra os causadores.  O pior desse extinção é que ela é endógena, não é um asteróide que está para colidir com a Terra, está sendo fabricada pelo nosso sistema econômico linear, degenerativo e infinito, dentro de um planeta finito, regenerativo e circular.  Está sendo mantido por uma mentalidade econômica ensinada para 100% dos estudantes de economia, pela qual se acredita corajosamente que a Terra é um subsistema da economia.  Nem precisamos dizer que a finalidade tautológica do crescimento pelo crescimento não tem como objetivo nenhum trazer ganhos sociais e ambientais para a humanidade, o que é mais pecaminoso.

O fim do desperdício de alimentos que terminam no lixo, por exemplo, já seria suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas por um ano.  Disseminação de nutrição saudável e de produção local de alimentos com princípios bio-orgânicos tem o poder de reduzir em 80% o impacto nos ecossistemas e alimentar muito mais pessoas.

Revisão do sistema de transportes, saindo do extremo da economia global (produção há milhares de quilômetros) para produção local, com o fim de viagens aéreas e no lugar vídeo-conferências, além de trocar turismo global por turismo local com a finalidade das comunidades se conhecerem mais e se preservarem tem um poder de redução do impacto sobre os ecossistemas não menor.

O fim do lixo, que é mantido graças aos lucros polpudos que abastecem empresas e empreiteiras, também teria o poder de reduzir o impacto de forma vultosa.

Enfim, é preciso achar outro modelo no lugar do modelo atual da casa-carro-viagem-ao-exterior que determina as vidas sem sentido e comezinhas da população humana que vive esse modelo e
daqueles muitos ou a maioria que desejam vivê-lo, sem saber que jamais conseguirão, por mais que eudeusem as celebridades inventadas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Impossível crescer num planeta finito, mas...

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Mais um para o imaginário frequente de (i) temos um problema com a impossibilidade de manter crescimento infinito num planeta finito, mas (ii) temos a solução, qual seja, basta mudar a forma do crescimento e não a idéia em si mesma: http://www.oeco.org.br/guardian-environment-network/28594-nao-tema-o-crescimento-ele-nao-e-mais-o-inimigo-do-planeta.  Se para a primeira colocação não há muita dúvida entre os que se dizem “novos economistas”, para a segunda há visões completamente distintas, na sua maior parte ilusórias, sobre como tratar essa questão.  Os conceitos são tão vagos e tão descolados do conhecimento científico verdadeiro na física, na biologia, na tecnologia, na ecologia, que apesar de evidente contradição com os resultados apontados pela realidade, essa visão distorcida da realidade sobrevive e se dissemina, alimentada claro por algo que Aristóteles já tinha avisado a todos: “Quando nossos interesses estão em foco, somos os piores juízes das nossas ações.”

O texto do The Guardian replicado para o O ECO é esse tipo de argumento que afasta de vista qualquer crítica ao paradigma de crescimento e modelo de consumo. Podemos continuar crescendo e consumindo que nem loucos suicidas, sem apreço algum pela coletividade, porque estamos tendo ganhos de eficiência, sinais de mercado e novas tecnologias.   Seguem acreditando que o planeta é infinito, que a oferta brota do nada e que a tecnologia, nas palavras de Roegen, irá recriar o Jardim do Éden na Terra.  Apesar dessa crença infundada, não há um só estudo de variáveis críticas planetárias que não mostre deterioração contínua até hoje.   Desde o Millenium Ecossystem Assessment, Limits to Growth e outros estudos importantes, alguns secretos que só agora estão vazando, a situação só tem piorado.   Será que eficiência resolve e podemos ignorar que as florestas que sobraram como as de Borneo estão sendo destruídas?  A de Borneo está sendo solapada para produzir óleo de palma para a indústria de coméstico global.  Podemos crer que eficiência e tecnologia resolve tudo apesar da água estar desaparecendo de vastas regiões importantes de produção agrícola, desde a China, até Brasil e Estados Unidos?

No texto alucinado publicado no The Guardian, extraio alguns comentários interessantes:

Huhne claims: "The UK economy has doubled in real terms since 1985, but total energy consumption is exactly the same as it was in that year."  This is in fact dead wrong. "Official statistics indicate that the UK's greenhouse gas emissions have fallen over the last twenty years - partly because it now produces more electricity from gas than coal. But a new report from government adviser the Committee on Climate Change (CCC) finds that once imports and exports are taken into account, the country's emissions are 80 per cent higher."

A esse respeito lembro de ter lindo um livro brasileiro de autor brasileiro que falava a mesma besteira. Corrigiu, acrescentando que realmente não há evidências de tal melhora.  Esse segundo comentário é bem mais direto:

Where to begin?

1. GDP is rigged. Some jurisdictions are including prostitution, and not just the financial kind.
2. GDP "increase" is going to the richest, not the median.
3. Lots of things are more energy efficient, true. But most are not repairable, and must be thrown away every few years. That costs energy too.
4. The world is heating.
5. The oceans are dying.
6. The manufacturing centres are highly polluted.
7. Not to worry - correcting these things will increase the GDP.
8. The electric grid will not tolerate the higher loads which would result from every vehicle being electric. Somebody will have to improve that. Read copper.
9. Every industrial commodity is getting harder to extract. More steel for a drilling platform, more oil to transport lower grade ore. That is an exponential process, and it is exponentially bad.

But not to worry, you have made me feel SO good.

A esse respeito, não só Piketti, mas Janet Yellen no seu testemunho do Senado ouviu a seguinte pergunta de um senador: “A senhora não se incomoda com o fato de 99% da expansão da renda no período pós-recessão (desde junho de 2009) ter sido apropriada pelo 1% mais rico?”  Não preciso comentar mais nada.  Lógico que essa concentração de renda não preocupa quem está sendo beneficiado por ela e que, não por acaso, desconhece que não há um só exemplo na história da humanidade de tal processo não ter causado um colapso social.

Essa lógica tem uma equação que não fecha: a maturidade atual de economias saturadas que transferiram produção pesada e de energia para países poluidores não pode ser replicada por vastas populações carentes do Brasil, da China, da Índia que querem copiar seus modelos de carros, casas, viagens aos exterior e consumo desenfreado de qualquer coisa inútil e desnecessária que inventaram para nosso deleite (nem vamos comentar que as tecnologias que fariam uma lâmpada durar 100 anos e um pneu de carro durar 1000 anos foram destruídas, assim como a obsolescência programada está funcionando a todo vapor nessa economia do jogar fora que transformou a Terra, nossa casa maior, em uma enorme lixeira...).

Sei que é óbvio, mas o que está acontecendo em um país não necessariamente é possível de ser extrapolado para o planeta inteiro. E o argumento é muito simples.  Se os países ricos tivessem que produzir tudo que precisam (100%) dentro dos seus territórios, já estariam vivendo um colapso ambiental à la Ilha de Páscoa há muitas décadas.  Imaginem EUA e Reino Unido como únicos territórios da Terra e o resto só oceano e pensem: como esses países estariam, tendo destruido quase 100% das suas florestas, consumindo vastas quantidades dos recursos inclusive água de outros territórios que agora, nesse planeta hipotético não tem como ser suprido?  O colapso ambiental das economias maduras só foi evitado pela exportação dos descalabros ambientais para além das suas fronteiras e com até alguma economia recente, como se o planeta Terra não fosse uno...  Essa contrapartida das suas importações tem visibilidade zero no nosso sistema de preços derivado do nosso sistema de valores torpes. Transformar a Amazônia em monocultura tem custo zero na ideologia dominante atual, embora só um serviço seu, formação de água da América do Sul, requer energia equivalente a de 50.000 Itaipus. Imagina a fila de “consumidores” pagando por isso tudo.

Podemos até escamotear a realidade com idéias absurdas e seguir acreditando nelas, mas não conseguiremos mudar os resultados.  Caminhamos para um colapso civilizatório com risco de fim da vida na Terra enquanto mantivermos a idéia de medir nossas atividades por mais atividades, por crescimento que se justifica apenas por mais crescimento.  Enquanto medirmos bem estar pela quantidade de bens e comida que passam pelas mãos dos seres humanos ou sua satisfação pela renda e por aí vai, a lista de erros de crenças é infinda, além das soluções propostas serem cada vez mais inadequadas.  O bem estar humano além de não estar assegurado por essas vias, agora corre um rismo maior, por esfacelar as bases de sustentação da vida.

Sugiro a leitura de Serge Latouche e Erik Assadourian.  Do Erik Assadourian, esse texto muito mais lúcido mostra essa diferença de visões:  http://archleague.org/2013/10/degrowing-our-way-to-genuine-progress/

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A necessidade de crescer a qualquer custo continua...

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Encaminho esse texto para avaliação de todos: http://www.voxeu.org/sites/default/files/Vox_secular_stagnation.pdf

O bastião do pensamento econômico continua firme na “necessidade de crescer a qualquer custo e acabar com a estagnação secular que explica a situação atual muito mais que uma específica crise financeira (a de 2008).”  Não conseguem imaginar que o erro pode estar exatamente no início, c´est-à-dire, na necessidade de crescer a qualquer custo.

Lembrei que Lawrence Summers não aceitou o gráfico de Herman Daly no Banco Mundial que colocava a economia como um subsistema da Terra.  Dessa forma é fácil essa pseudo-ciência concluir que qualquer de suas propostas se ajusta perfeitamente bem (no mito da) com sustentabilidade.  Nessa visão o sistema econômico não tem vinculação nenhuma com o meio ambiente do planeta onde se insere.  No final do texto podem dizer: “e esse sistema encontra-se em Marte” e nenhuma conclusão se alterará.  Claro que é uma fantasia.

Estranhar? Claro que não, nos livros de Macroeconomia a principal assertiva anida é “os recursos da natureza são totalmente irrelevantes para o processo econômico.” É isso que aprendem ainda hoje muitos alunos incautos, apesar de tanto blablablá de sustentabilidade.

Como temos visto com certa frequência entre as pessoas que ainda pensam, crescer a qualquer custo, sob qualquer artifício imaginário (carros elétricos, energia limpa, mecanismos de desenvolvimento limpo, energia nuclear “limpa”, etc.) é uma impossibilidade física num planeta finito, principalmente em termos de matéria, outro mito largamente difundido pelo qual só teríamos problema de energia.  Muitos acreditam que ao assegurar uma fonte infinita e limpa de energia (outro imaginário com várias restrições tecnológicas), podemos pensar então em construir os mais dois ou três planetas que iremos precisar para esse modelo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Situação da água no estado de São Paulo e do Rio de Janeiro

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Prezados estudiosos, professores, cientistas, profissionais de várias áreas, amigos,
Não sei por onde começar, mas a situação da água em São Paulo parece assustadora.  Imagina o colapso que irá resultar caso a estação de chuvas seja fraca no final desse ano.  Imagina o que já está acontecendo com um sem número de famílias nos municípios já atingidas por um racionamento de água.  Falta de água é muito pior, dizem os especialistas, do que falta de energia, em termos de impacto nas atividades econômicas, principalmente urbanas. O que podemos fazer?
Em primeiro lugar, se queríamos uma prova do erro dramático do sistema econômico atual de crescimento contínuo, completamente irracional, que agrega atividades geradoras de PIB mas desagregadoras do ponto de vista socioambiental, dentro de um espaço finito que é a Terra, agora temos:  crise hídrica num dos maiores conglomerados populacionais do planeta (figura 1). Como é possível aumentar a demanda exponencialmente por um recurso finito como a água (e também pelos serviços ecológicos, solo)?  Ganhos tecnológicos têm limites e a menos que pretendamos alcançar a proeza de produzir do nada, os ganhos de eficiência foram e serão sempre superados pela escala produtiva anormal, com piora também exponencial de todas as variáveis críticas dos sistemas de sustentação da vida.  Para economia ecológica a questão da água é um desafio que deveria ser abraçado com paixão: quais são as causas? quanto o evento climático em São Paulo extremo explica? o que poderia ter sido feito? qual a recomendação futura de forma geral?  Os reservatórios estavam em queda desde 2010, sabemos que destruição de mananciais, desmatamento, destruição de nascentes, o rodoanel na APA Bororé, a falta de investimentos para conter a perda de água no sistema de distribuição e desperdício alucinante dos consumidores tudo isso contribuiu para germinar essa crise.  O extremo climático pode ter sido a pá de cal num processo cujo resultado talvez não seria diferente disso, só um pouco mais distante no tempo.
Figura 1
Agora sabemos que não é só o reservatório da Cantareira (abastece 45% da população munícipe de São Paulo, figura 2) que está crítico, mas outros também e não é só no município, mas no estado inteiro e também no Rio de Janeiro.  E não é só água, na parte de geração de energia também há riscos.  Enquanto continuarmos estudando economia pelo fluxo do PIB, que não tem conexão alguma com o meio ambiente do qual depende, considerando a Terra um subsistema da economia que não vê limites ecológico-planetários, o resultado não será diferente.  Não dá mais para acreditar não haver limites ao crescimento material e aumento contínuo de demanda por energia.  A atividade sócio-econômica tem que ser vista do ponto de vista de fluxo de matéria e energia e seus impactos sociais acima de tudo, porque sem salvação social não haverá salvação ambiental.  Por esses fluxos sabemos que só há duas opções pela frente: ou desmaterializamos a economia ou desmaterializamos a vida.  Optamos até agora com o pé no acelerador pelo segundo: estamos no meio da maior extinção em massa da vida desse planeta de forma endógena, sempre com a enorme ingenuidade de achar que essa extinção jamais irá se voltar contra os causadores.  Na biologia somos todos um.
Figura 2
Água é um recurso finito. Para aumentar esse recurso precisaríamos de uma nova chuva de meteoros durante milhões de anos.  Esses dois períodos de chuvas de meteoros de milhões de anos ocorreram na história da Terra quando a vida não existia e nossa espécie animal só chegou aqui quase no último segundo. Somos claramente irrelevantes para o planeta e a filosofia do “nunca morri” não deve continuar.  Enquanto escrevo esse email, significa que não morri, mas significa que não morrerei um dia?  O planeta nunca expulsou a humanidade, significa que nunca expulsará?  A irracionalidade desse sistema baseado em desperdício, ineficiência e no jogar fora, tudo submetido a crescimento exponencial, com cidades tendo mais nascimento de carros do que de bebês e com a população aumentando 300.000 habitantes por dia, já descontados os mortos, é muito evidente para acharmos que podemos continuar nessa mesma trajetória sem nada mudar.   Será que a situação da água não pode nos ajudar a revisar o atual paradigma econômico, a teoria econômica falsa e despertar em nós a consciência que devemos ter sobre a nossa relação como espécie animal nesse planeta?  John Maynard Keynes escreveu que “no longo prazo todos estaremos mortos”.  Nicholas Georgescu Roegen criticou essa frase ao dizer que “como espécie animal somos praticamente imortais.”  Isso para lembrar a questão moral de não continuar agredindo a capacidade do planeta sustentar a vida com um sistema econômico em rota completa de colisão com a Terra.   Não adianta inventarmos mais nomes (economia verde, economia do meio ambiente, sustentabilidade, mecanismos de desenvolvimento limpo, etc.), porque não existe economia sem ser verde, sem envolver o meio ambiente e não existe ausência de sustentabilidade.  Se nosso sistema atual insistir nessa rota de colisão, o planeta irá restaurar a sustentabilidade à nossa revelia e sem a nossa presença.  Como Roegen disse “seremos capazes de entregar a Terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana”, afirmação depois referendada pelos estudos de paleontologia sobre o atual processo de extinção.
O sistema econômico tem que mimetizar a natureza: (i) deixar de ser linear, para ser cíclico, (ii) deixar de ser degenerativo,  ineficiente e com enorme desperdício de matéria e energia para ser regenerativo, eficiente, e (iii) deixar de ser infinito ou submetido a crescimento exponencial infinito para ser finito, tal como é a Terra, enxergando os limites ecológicos.   Deixar de concentrar riqueza e renda para atender as necessidades humanas com mais oportunidades para todos. Isso requer abandonar as métricas estéreis a favor de mensurações que façam uso do conhecimento que temos de biologia, física, sociologia e ecologia, uma multidisciplinaridade.  Nada pode ser mais estéril que o conceito do PIB.  Mesmo para medir o bem estar social, embora seja a única justificativa desse ataque contra o planeta.
Não é hora de arregaçar as mangas? Ou podemos esperar mais evidências?

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Development without Deforestation - Desenvolvimento sem Desmatamento

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Espero que o texto tenha respondido a seguinte pergunta:

Não é possível desenvolvimento, nos moldes atuais, baseado em crescimento econômico eterno de estruturas e populações humanas, sem desmatamento desenfreado à luz do que já ocorre hoje em várias partes do mundo, com os últimos ataques indo para Ásia, África, Canadá e ainda Brasil, cuja pretensão do setor agrícola é expandir a fronteira agrícola na Amazônia, conforme afrouxamento de legislação pertinente e seminários promovidos pelo “agribusiness”.  Ou seja, tal resultado só é possível com uma revisão total do modelo e teoria econômicos que não enxergam nenhum limite ecológio ou físico para suas pretensões de expansão contínua.

Os únicos lugares sem desmatamento na Terra hoje são onde já se desmatou tudo que era possível e agora conseguem manter e reflorestar com matas secundárias com a ajuda do comércio global, transferindo produção suja para países sem compliance ambiental algum, como se os mapas dos países realmente existissem sobre o nosso planeta, que na verdade é uno e não há salvação ambiental enquanto os estragos ecológicos não forem atribuídos aos seus principais responsáveis e todos enxergarem os limites planetários.

Portanto, fim do desmatamento somente quando sairmos da economia submetida a crescimento exponencial, baseada em desperdício e ineficiência, cujas tecnologias só servem para piorar as varáveis críticas.  Precisamos usar as tecnologias existentes mas esquecidas para reverter o ataque da humanidade contra os ecossistemas e estabilizar os danos dos quais já teremos consequências inevitáveis, devido ao atraso e a permanência do estrago feito no planeta. 

Dessa guerra contra os ecossistemas jamais sairemos ilesos, vide a maior extinção em massa de espécies animais e vegetais da história desse planeta em curso hoje e é muita ingenuidade achar que tal extinção não irá se voltar contra os causadores.  O pior desse extinção é que ela é endógena, não é um asteróide que está para colidir com a Terra, está sendo fabricada pelo nosso sistema econômico linear, degenerativo e infinito, dentro de um planeta finito, regenerativo e circular.  Está sendo mantido por uma mentalidade econômica ensinada para 100% dos estudantes de economia, pela qual se acredita corajosamente que a Terra é um subsistema da economia.  Nem precisamos dizer que a finalidade tautológica do crescimento pelo crescimento não tem como objetivo nenhum trazer ganhos sociais e ambientais para a humanidade, o que é mais pecaminoso.

O fim do desperdício de alimentos que terminam no lixo, por exemplo, já seria suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas por um ano.  Disseminação de nutrição saudável e de produção local de alimentos com princípios bio-orgânicos tem o poder de reduzir em 80% o impacto nos ecossistemas e alimentar muito mais pessoas.

Revisão do sistema de transportes, saindo do extremo da economia global (produção há milhares de quilômetros) para produção local, com o fim de viagens aéreas e no lugar vídeo-conferências, além de trocar turismo global por turismo local com a finalidade das comunidades se conhecerem mais e se preservarem tem um poder de redução do impacto sobre os ecossistemas não menor.

O fim do lixo, que é mantido graças aos lucros polpudos que abastecem empresas e empreiteiras, também teria o poder de reduzir o impacto de forma vultosa.

Enfim, é preciso achar outro modelo no lugar do modelo atual da casa-carro-viagem-ao-exterior que determina as vidas sem sentido e comezinhas da população humana que vive esse modelo e
daqueles muitos ou a maioria que desejam vivê-lo, sem saber que jamais conseguirão, por mais que eudeusem as celebridades inventadas.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

REINVENTANDO A RODA...

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 Um dos fatos mais impressionantes dos dias atuais pode ser resumido numa frase de Einstein: “O maior sintoma de loucura tos tempos atuais é querer sempre fazer as mesmas coisas esperando resultados diferentes.

Dois comentários sobre duas duas séries da TV:

Do Jornal da Globo sobre a dura batalha dos chineses contra a poluição. A realidade dramática de uma nação castigada pela fumaça do carvão e dos veículos automotores. O material pode ser replicado e se presta a múltiplos usos, inclusive - ou principalmente - pedagógico.     

Um dos maiores mitos da atualidade é que o mundo rico é limpo, sem poluição e que o problema se restringe à China e aos países atrasados.  Enquanto se supõe erradamente que os países ricos encontraram a fórmula de aliar elevada riqueza a um meio ambiente limpo, mito amplamente abraçado por vários iluminados e pessoas incapazes de desferir qualquer crítica ao nosso sistema, seguimos firmes com o mito tão propalado pelo Banco Mundial: “O problema da poluição e da destruição das florestas é um problema dos países pobres.  Os países ricos deixaram para trás esses problemas. Para resolver o problema nos países pobres, enriqueça-os.”    Em outras palavras, todos copiem o modelo dos países ricos.   A verdade é que os avançados não só tem sérios problemas de poluição, como diminuíram o agravamento desse problema para países fora de suas fronteiras e a custo zero via comércio global. Sim, o custo da poluição e da destruição do clima e dos serviços ecológicos sem os quais não haverá vida mais na Terra é zero, e isso não mudar mesmo com as mágicas do Pavan Sukdev.   Enfim, nos EUA o problema é seríssimo também, “shale gas” é a cereja do bolo.  O letreiro Hollywood é frequentemente apagado pela poluição. Paris ficou imersa na mesma poluição a ponto de não ser possível ver a Torre Eiffel e o prefeito proibir trânsito de automóveis e dar passagens de ônibus gratuitas aos usuários.  Se Estados Unidos estivessem sozinhos na Terra, cercados por oceanos, sem comércio global algum, já teriam entrado em colapso total há muito tempo. Aqui em São Paulo vivemos numa bolha marrom. Isso não é um problema chinês, é um problema do modelo econômico e da teoria econômica autista falsa, que acredita que a Terra é um subsistema da economia, quando é justamente o oposto.  Nesse modelo, não existe limites ecológicos e o sistema econômico pode ser maior que o planeta.

A BBC lançou uma série sobre consumismo (3 episódios, total 3 hrs), chamada Os Homens que Fizeram Agente Gastar: desvenda os segredos do porque nós compramos. Jacques Peretti investiga o que nos mantém viciados em gastos, e enfrenta (entrevista) alguns dos homens por trás de alguns produtos mais vendidos no mundo, e estratégias de vendas que começam dentro de nossa mente. (Mas não chega aos impactos ambientais do fenômeno).  Links da BBC e da Open University sobre a série:



O item 2 é antigo, Nicholas Georgescu-Roegen, cuja crítica irrefutável encontra sem o menor uso na atualidade, falava muito sobre isso no final dos anos 1960. Estamos atrasadíssimos.  Ele satirizava os comerciais de aparelho de barbear descartáveis e escreveu em um de seus textos: “use o cinzeiro do seu carro e jogue ele e o cinzeiro no lixo”.  Ele foi um grande crítico da “throw-away” economy. Essa economia, se continuasse (e continuou a despeito de sua contribuição que foi ignorada), seria capaz de entregar, segundo Roegen, a Terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana, a qual não faremos nem mossa, como escreveu Stephen Jay Gould.  Pelo menos a vida bacteriana irá se salvar, enquanto São Paulo já ficará terrivelmente sem água e ninguém fala sobre isso. Sim, a economia do desperdício e do consumo suicida se formou nos últimos 50 e 60 anos e nenhum poder vigente quer alterá-la, porque vivemos sob a égide da maximização de lucros que só se materializa com vendas financiadas por emissão monetária e de crédito sem lastro dos bancos centrais ao redor do orbe e caminhamos para uma nova crise, igual a anterior, mas cada vez mais difícil de ser resolvido (se é que será resolvida).  E essa economia do marketing funciona bem, porque aquilo que mais agrada o ser humano é a desgraça alheia e o que mais incomoda é a felicidade alheia. Para vender só associar felicidade ao sucesso e o sucesso ao consumo de bens inúteis, foi essa a fórmula encontrada no período entre guerras mundiais, como descreve Jeremy Rifkin no seu livro O Fim do Emprego. O mais importante é que o consumo não é mais financiado pela renda do trabalho, que estagnou nos países ricos, mas pelo crédito lastreado em bolhas de ativos...  Bom lembrar que o marketing é o segundo maior orçamento empresarial do planeta, só perde para a indústria das armas.  Uma empresa de insumos agrícolas ficou um pouco preocupada com os orgânicos, mas afinal disse: “Temos o marketing”.   Mudar para quê?

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Cai poluição de riachos da Serra do Mar (SC)

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Comentário:

Solução tem e mais do que suficiente para evitar o pior, embora estejamos atrasados mais de 50 anos.  O que não tem é um diagnóstico claro, que impõe claramente a mudança do modelo e não perfumarias acessórias, além de vontade política para mudar o atual modelo.  Não por essa ordem, porque se houver vontade política com o diagnóstico equivocado atual, o resultado será pior. 

O diagnóstico correto significa avaliar friamente todo o blablablá de economia verde, sustentabilidade, mecanismo de desenvolvimento limpo, energia limpa, etc. e verificar se mesmo que tudo isso seja implementado (porque até agora nada foi feito), se a piora das variáveis críticas será revertida.  Até agora, só para registro, as variáveis críticas continuam piorando exponencialmente junto com o crescimento exponencial do PIB.

Tem que haver uma relação de causalidade entre dignóstico, medidas propostas e reversão do colapso planetário social e ambiental.  Desconfio que as pessoas acham que essa relação de causalidade não é necessária, o que não surpreende muito, dado o estágio profundamente inicial de mudança que ainda estamos.

Cai poluição de riachos da Serra do Mar (SC)

Um projeto piloto [  http://www.ra-bugio.org.br/projetosemandamento.php?id=36  ] de baixo custo reduziu consideravelmente a poluição por esgoto doméstico de riachos da Serra do Mar na localidade de localidade de Itoupava-Açu, no Município de Schroeder (SC).

O projeto foi idealizado pelo Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade, ONG sediada em Jaraguá do Sul, com financiamento do FEPEMA - Fundo Especial de Proteção ao Meio Ambiente de Santa Catarina.

Consistiu na instalação de 47 fossas sépticas com filtro nas residências de famílias de baixa renda e um programa de educação ambiental com as escolas públicas de Schroeder, Jaraguá do Sul e Guaramirim, da região cortada pelo rio Itapocuzinho que recebe água dos afluentes beneficiados pelas ações do projeto.

Nas atividades educativas ao ar livre, parte dos estudantes foi conduzida até os locais onde foram instaladas as fossas sépticas para observar a gravidade dos problemas ambientais decorrentes da poluição dos riachos da Serra do Mar devido ao lançamento de esgoto doméstico sem tratamento.

Para se verificar a eficácia do projeto foram coletadas amostras da água em determinados pontos de quatro afluentes do rio Itapocuzinho contaminados por esgoto doméstico, antes e depois das instalações das fossas sépticas, em fevereiro e julho deste ano. As amostras foram enviadas para um laboratório fazer a contagem do número mais provável (NMP) de coliformes fecais, que é a densidade média de bactérias Escherichia colipresentes em 100 mililitros de água, um teste padrão para se determinar a contaminação da água.

O grupo de bactérias coliformes é considerado como o principal indicador de contaminação bacteriológica de origem fecal e determina a segurança do uso da água. O teste de contagem de coliformes fecais é empregado para se avaliar a poluição de cursos de água, eficiência de desinfecção de sistemas de tratamento de água, de efluentes industriais e domésticos, balneabilidade de praias e monitoramento sistemático para classificação da qualidade da água de rios.

Os resultados obtidos da contagem de coliformes fecais (NMP/100 ml) antes e depois das instalações das fossas sépticas foram:

Local de coleta
ANTES
DEPOIS
Ponto 1
1454
156
Ponto 2
34480
486
Ponto 3
32550
3452
Ponto 4
3180
379
Ponto 5
1870
62

O projeto não teve a ambição de acabar com a poluição do rio Itapocuzinho, mas de demonstrar que é possível por meio de medidas de simples reduzir significativamente a contaminação por esgotos domésticos em uma boa extensão de todos os rios e riachos da Serra do Mar, devolvendo a grande diversidade de vida para estes ambientes aquáticos.

Fotos do projeto e outras informações



Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul – Santa Catarina


Conheça o Centro Interpretativo da Mata Atlântica – Jaraguá do Sul



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