terça-feira, 8 de abril de 2014

Show de horrores

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1) Sementes suicídas e seus impactos contra interesses difíceis de vencer

ABA envia carta à comissão responsável pela liberação das sementes terminator
A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) enviou uma carta ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), Deputado Federal Vicente Cândido, com pareceres técnicos sobre as GURTs “Tecnologias Genéticas de Restrição ao Uso”, também conhecidas como sementes terminator por sua incapacidade de germinação. O objetivo é que os argumentos científicos sejam ouvidos e que esta tecnologia, que não contribuirá em nada para a sustentabilidade da agricultura brasileira, seja impedida.
No dia 11 de março, graças à mobilização social no Brasil, foi barrada a votação do Projeto de Lei 268/2007, que pede a liberação da produção e comercialização de sementes transgênicas terminator. A CCJC é a última comissão pela qual o PL tramita e, caso seja aprovado, vai diretamente ao plenário da Câmara Federal. A carta produzida pela ABA foi entregue neste contexto.
Alguns estudos e leis a respeito do tema são apontados na carta elaborada pela ABA, além de analisar as implicações técnicas do uso dessa tecnologia. O documento lista alguns impactos promovidos pela sua utilização: agrícolas e socioeconômicos, nos direitos de proteção intelectual, na conservação da diversidade biológica nas propriedades, dos GURTs nos conhecimentos, práticas e inovações das comunidades locais e indígenas e os impactos éticos dos GURTs.
As lições adquiridas com as experiências com outros transgenes também foram consideradas. Os efeitos adversos não previstos e descobertos anos atrás por pesquisadores independentes, após a liberação comercial dos transgênicos no Brasil, é uma delas. Nesse sentido, a ABA propõe a exigência legal da obrigatoriedade de estudos de avaliação de riscos sobre essas sementes. A ameaça à diversidade biológica e seus impactos no ecossistema em consequência da liberação de OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) é outra preocupação apontada.
Reconhecendo a inestimável contribuição das comunidades locais e indígenas, sobretudo dos pequenos agricultores, na conservação da diversidade desse patrimônio genético de fundamental importância para a alimentação no mundo e a sustentabilidade desses territórios, o documento conclui exigindo estudos de impacto ambientais para atender as leis e o princípio da precaução. (...)
ABA Agroecologia, 27/03/2014

2) Kátia Abreu e suas falácias: isso merece uma resposta

3) A volta do preconceito em cursos da FGV:

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Economia continua contra o meio ambiente

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O crecimento medido pelo PIB e aumento da economia material é rota de colisão com a Terra. Isso não pode continuar mais, a menos que tenhamos desistido de manter a vida nesse planeta.

Precisamos cortar os exageros, os desperdícios, as ineficiências e no limite estancar o crescimento absoluto (não relativo) de populações e estruturas.  Num planeta finito como a Terra, não só em serviços ecológicos, mas em água e solo para comportar tudo isso, o crescimento já virou decrescimento das bases de sustentação dos seres vivos e fim da qualidade de vida há muito tempo. 

Num novo modelo sem as ideologias dominantes, o foco seria distribuição, equilíbrio com os ecossistemas e qualidade de vida.

O que precisamos mais além de ficar sem água em São Paulo numa das anomalias mais grotescas no Brasil inteiro desde final de 2013 para acordar?

O fim da vida?  Essas análises da pressa da licença ambiental, não correspondem a realidade atual do planeta. Mas continuam dentro da teoria econômica pela qual os recursos da natureza são considerados totalmente irrelevantes para o processo econômico e isso ainda é ensinado até hoje (ver matéria abaixo). Nenhum dos lados está certo enquanto não houver um equilíbrio e uma escala de importância e acima de tudo uma avaliação dos resultados sociais e ambientais das atividades implementadas de forma coerente, coesa e sistêmica.

Hugo


Burocracia faz concessão de usina da Votorantim vencer antes de gerar energia
Na divisa entre SP e PR, a usina foi concedida por decreto presidencial em 1988 à Companhia Brasileira de Alumínio e, desde então, passou por três estudos de impacto ambiental, uma licença prévia suspensa e muitas mudanças no projeto
RIBEIRA (SP) E ADRIANÓPOLIS (PR) - Em quatro anos, a concessão da Hidrelétrica de Tijuco Alto, na divisa entre os Estados de São Paulo e Paraná, vai acabar sem que nenhum centímetro de barragem tenha sido erguido e nenhum megawatt de energia, gerado. Concedida em setembro de 1988, por meio de decreto presidencial, a usina é o exemplo do quanto é complexo e burocrático o processo para conseguir levantar um projeto no Brasil.
Durante 26 anos, a hidrelétrica - da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim - fez parte de uma verdadeira novela, com idas e vindas. Foram três estudos de impacto ambiental, uma licença prévia suspensa e várias mudanças no projeto para se adequar às exigências de órgãos ambientais, de patrimônio histórico e das comunidades. Ainda assim, não há uma posição concreta sobre a obra de R$ 600 milhões.
Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o processo está com a análise técnica encerrada, mas a emissão da licença prévia depende de manifestação positiva da Fundação Cultural Palmares. Em 2012, a instituição deu parecer favorável ao empreendimento, de 144 MW. Mas, no mesmo ano, voltou atrás sob a alegação de que novas consultas deveriam ser feitas com as comunidades quilombolas na área de influência da usina. As reuniões, previstas para janeiro, ainda não foram feitas. Procurada, a fundação não respondeu à reportagem.
Calcula-se que a empresa já gastou mais de R$ 50 milhões em projetos, audiências públicas e compra de propriedades. Sem saber da dificuldade que enfrentaria para tirar o projeto do papel, a CBA comprou 60% (5.511 hectares) da área necessária para a construção da usina. Além disso, comprou equipamentos para a hidrelétrica, como grades das comportas do reservatório. Uma parte do material se perdeu. Outra está à espera da liberação da usina.
O canteiro de obras, onde cerca de 80 pessoas trabalharam para elaborar os estudos na década de 90, continua intacto na beira do Rio Ribeira de Iguape. Os escritórios ainda guardam materiais informativos da época das audiências públicas e os mapas com a localização da barragem, da casa de força e de toda a área de influência da usina.
Histórico. Os entraves na construção da hidrelétrica começaram em maio de 1994, três meses depois de a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo conceder a licença prévia. O Ministério Público Federal suspendeu a decisão, alegando que o licenciamento teria de ser feito pelo Ibama. A partir daí, teve início a novela que virou o empreendimento.
A cada ano que passava, uma nova exigência era feita e as posições iam mudando. Enquanto um órgão aprovava, o outro dava um passo atrás. Em 2007, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) deu parecer favorável ao projeto, enquanto o Instituto Chico Mendes, à época recém-criado, pediu mudanças para preservar as cavernas localizadas na região. No ano seguinte, o Iphan mudou de ideia e também solicitou novos estudos sobre as cavernas.
Um dos pontos de discórdia era a Gruta do Rocha, famosa na região e que foi classificada como grau máximo de relevância por ser hábitat de uma nova espécie de escorpião. Mas, segundo o presidente da Votorantim Energia, Otavio Rezende, esse problema já foi superado. Uma nova solução de engenharia foi criada para evitar que as cavernas fossem inundadas com a construção da hidrelétrica. Ele explica que um muro será construído para evitar qualquer tipo de prejuízo às grutas.
A solução, no entanto, não convence o exército de ambientalistas contrários ao empreendimento. O coordenador do Programa Vale do Ribeira do Instituto Socioambiental (ISA), Nilto Tatto, diz que há na região cerca de 500 cavernas com grande biodiversidade e que poderiam ser afetadas.
Na avaliação dele, o solo da região é sensível e, portanto, a solução de construir muros pode não ser eficaz. "Tijuco Alto tem uma série de problemas. Na origem, o termo de referência emitido pelo Ibama não contemplou o rio todo e, portanto, a empresa só fez os estudos ambientais de um trecho." Além disso, diz ele, as comunidades não foram informadas sobre todos os riscos do projeto, como o caso de contaminação da água por causa das antigas explorações de chumbo na região.
Para a CBA, projetos e programas especiais foram desenhados para resolver o problema e evitar a contaminação. "Todas as pendências foram resolvidas. Não há mais nenhum óbice ao projeto", diz Rezende, lembrando que a usina resolverá um dilema antigo dos moradores da região, que são as constantes enchentes no período de chuva.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Amazônia está longe de estar salva

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Painel IPCC alivia previsões para Amazônia (ver matéria abaixo), mas aponta riscos que podem não mudar o seu cenário, dada a falta de decisão política para evitá-los nos Brasil e demais países sul-americanos.  Sem falar na pressão advinda do projeto patrocinado por interesses econômicos, chamado de IRSA (Integração Regional Sul-Americana).  Esse projeto é patrocinado por uma ideologia aina dominante que não vê valor algum na floresta em pé.   Será que nós economistas esquecemos que nos ensinam na escola que uma árvore só tem valor quando derrubada ao chão?  Ou que em todos os livros de macroeconomia ensinados até hoje e não na Idade Média está escrito que “os recursos da natureza são totalmente irrelevantes para o processo econômico”, apesar de ser uma teimosia nada científica completamente em desacordo com a realidade?  E que os físicos sabem que tudo à nossa volta são recursos da natureza regidos por leis que não controlamos?  A física é uma ciência, enquanto a economia não passa de fantasias voltada para solidificar o status quo dos que menos precisam de recursos, mas os que mais conseguem obtê-los, tanto na esfera social, como nacional e global.

A notícia do painel é boa, mas muito pouco animadora, porque mudança climática não é “o” problema, mas um deles, e nem o mais grave.  E se o cenário mais ameno só vai acontecer se não houver desmatamento, fogo, especulação, avanço da fronteira agrícola, então esse cenário não é provável. Não há nenhum arcabouço institucional instalado nessa região sem lei capaz de impedir essas mazelas.  Enfim, falta firmeza e decisão política para defender a floresta – e nossas vidas.  Falta entender que sem a Amazônia estaremos todos mortos.

Quando nossos interesses estão em foco somos os piores juízes das nossas ações. Nós não mudamos simplesmente porque não queremos ou nem sentimos a necessidade de.

Falta barrar a especulação imobiliária, o fogo, com firmeza, mas com uma atuação 360 graus, dando àqueles que fazem isso outra opção de participar do sistema econômico, que não agir em desespero próprio.  Nossas cidades, por exemplo, são motores de destruição contínua dos ecossistemas.  Transporte de lixo, de alimentos, de matérias primas da Ásia para empresas de cosméticoserradamente consideradas sustentáveis,  é tanta coisa errada que nem dá para pensar por onde começar. É por tudo.

É o que mais falta no nosso sistema e é o maior entrave para realmente mudarmos: vivemos um sistema que as oportunidades são distribuídas para poucos, enquanto a vasta maioria fica sem nada e isso só tem piorado.  E esses poucos ainda viram líderes de uma sustentabilidade que inexiste. Nada mudou. Pior, nosso sistema só favorece pessoas no poder que tenham natureza psicopata, segundo estudos de universidades britânicas.

Para salvar o lado ambiental, é necessário salvar primeiro o lado social.  Mas isso é mudar como lidamos com o poder. O poder foi feito para servir e não para se servir dele.  Estamos longe disso. De um pensamento integrado. Nas mãos de pessoas que nem percebem isso.   Se tivéssemos nascido na favela do Alemão não estaríamos pensando na Amazônia – quem acredita em reencarnação deve temer as próximas, dada a situação de penúria social que bilhões já vivem. Se é que as próximasreencarnações ainda poderão ser nesse planeta. Como Nicholas Georgescu-Roegen vaticinou muito antes das descobertas científicas das últimas décadas: “Se a economia do descarte e do desperdício imediato dos bens continuar, seremos capazes de entregar a Terra ainda banhada em sol apenas à vida bacteriana.”  Continuou de forma explosiva e exponencial como mostram os trabalhos do grupo de Meadows e a atualização do seu trabalho Limites ao Crescimento, com colocações extremamente válidas até hoje.  Não adiantou nada os alertas da década de 1970. O que fará adiantar os alertas atuais?

Stephen Jay Gould ao falar da maior extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões, avisou que seria muita ingenuidade achar que essa extinção jamais se voltaria contra os causadores.  Também avisou que nem faremos mossa à vida bacteriana, o que mostra a sabedoria também em biologia de Roegen.
  

Relatório de 2007 falava em catástrofe e savana; cientistas sugerem agora que é possível proteger a vegetação dos danos climáticos

Giovana Girardi - Enviada especial/O Estado de S. Paulo
YOKOHAMA (Japão) - Há pelo menos uma boa notícia, se é que se pode dizer assim, no novo relatório do IPCC (o painel científico da ONU sobre mudanças climáticas): a Amazônia não corre mais o risco de virar uma savana até o final do século. Essa era uma das principais previsões feitas no relatório anterior, de 2007, do IPCC.
Na época, modelos climáticos apontavam que o aumento da temperatura e as mudanças climáticas levariam a uma nova configuração da vegetação em busca de um reequilíbrio com o clima diferente. Assim, em vez de permanecer como uma floresta densa chuvosa, a Amazônia responderia apresentando um menor porte, menor diversidade, menor biomassa -- mais semelhante com o nosso cerrado. Isso acabou conhecido como savanização e foi um dos pontos de maior crítica ao IPCC.
Sete anos depois, e com mais estudos disponíveis, o cenário ficou menos pessimista. É o que se pode concluir de uma versão preliminar do relatório completo do grupo de trabalho 2 do IPCC (que fala sobre impactos, vulnerabilidade e adaptação) que vazou na internet nos últimos dias. O material será chancelado no final da semana em plenária do IPCC em Yokohama, no Japão.
No capítulo que fala sobre ecossistemas terrestres, e teve como um dos autores o americano Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que há 30 anos estuda a floresta, o IPCC pontua que o novo conhecimento sobre a dinâmica da floresta melhorou e a probabilidade de ela sofrer essa transformação é bem menor que o que se imaginava anteriormente. "Apesar de que uma diminuição das chuvas e secas mais severas são esperadas no leste da Amazônia", escrevem.
O cenário do colapso da floresta foi duramente criticado alguns meses após o lançamento da segunda parte do relatório 4 do IPCC, em 2007. Na época ele se baseava em uma modelagem climática, feita pelo Hadley Center, da Inglaterra, que projetava um aumento de um ciclo vicioso: o desmatamento alimentaria uma seca, que interagiria com as mudanças climáticas e o aumento da presença de gás carbônico na atmosfera, levando a colapso de metade da floresta até o final do século 21.
O modelo, porém, nunca acertou direito o regime atual de chuvas da floresta, sempre estimava para baixo. Falava em uma média de 1.400 a 1.500 mm quando a medida nas estações meteorológicas ficava em mais de 1.700 mm. Esse erro na modelagem inicial acabou levando aos resultados mais catastróficos.
Além de os modelos terem melhorado, vários estudos experimentais conduzidos na própria floresta ao longo da última década mostraram um cenário um pouco diferente. A floresta continua sendo ameaçada por períodos de seca intensa, mas seu grande inimigo talvez seja o fogo.
"A melhor notícia trazida pelos últimos estudos é que, mesmo com a mudança climática, o homem pode mitigar os seus efeitos ao controlar o uso do fogo na agricultura", comenta o pesquisador Britaldo Soares-Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais e especialista na dinâmica da floresta.
O fogo é ainda é um recurso bastante usado por agricultores para limpar o terreno. Mas num momento de seca ele pode se espalhar com potencial realmente danoso para a floresta. "Sem esse combate, há realmente o risco de perder a floresta, com mudança do clima ou não. É o grande gatilho para empobrecer a floresta", diz Britaldo. "Mas o clima pode agravar isso. Agora estamos em um ano muito chuvoso em Rondônia, no Acre, mas em Roraima o fogo está tomando conta. E tivemos duas grandes secas, de 2005 e 2010. A variabilidade está aumentando, a princípio", complementa.
Experimentos conduzidos por Nepstad em que trechos da floresta foram secados com painéis solares observaram o limiar da resistência à seca, com a morte de grandes árvores. "As secas naturais que tivemos depois em 2005 e em 2010 validaram o estudo: 1 bilhão de toneladas de carbono foi liberada com a morte das árvores por seca natural."
Depois foi investigado o potencial do fogo. Uma parcela da floresta queimada intencionalmente no Mato Grosso, nas cabeceiras do Xingu, teve uma mortalidade de 50% das árvores num momento de temperatura mais alta e ventos fortes.
"É possível evitar que o fogo entre na floresta. Por outro lado, o Brasil está conseguindo reduzir o desmatamento. Se essa conquista se consolidar e evitarmos o fogo, dá para manejar o que a mudança climática tem de pior a jogar no Brasil", diz Nepstad.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Texto pavoroso do Rodrigo Constantino da Veja

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Se você quiser ler o texto do Rodrigo Constantido, você encontra aqui.

Foto: Tony Hall  (CC By BY-ND 2.0)

Não gostei quase nada do texto de Rodrigo Constantino, sem falar que me pareceu um ataque pessoal desnecessário, quando devemos nos prender às idéias. 

Não deve ser nem tanto ao céu nem tanto à Terra, mas foi muito maniqueísta. O lucro obtido a custo de extrema concentração de riqueza, perda de liberdades, destruição da natureza, corrupção de governos que engraxam os sapatos das empresas contra interesses socias e segurança de todos é um problema sim do sistema atual, seja ele qual nome tenha.  A resposta a um sistema que não entregou o que prometia a maior parte das pessoas é ter esquerdas quase tão ruins quanto o sistema anterior que tentavam mudar.  São ditaduras ideológicas ambos.  Num há perda de liberdades políticas, noutro econômicas porque vá viver nos centros urbanos ocidentais sem recursos para ver o que é liberdade. Em ambos há total falta de solidariedade, justiça, eficiência, criatividade e acima de tudo oportunidades para os mais jovens.  Estamos caminhando por um terreno cada vez mais seco e estéril, à alusão a essa seca hedionda pela qual passamos por dois anos consecutivos sem que o governo tenha tomado qualquer providência para nos proteger.

Ontem fui pegar minha bicicleta e a moça que cuida do bicicletário estava sentada num banquinho olhando para o nada e eu estranhei. Ele fica lá presa naquela gaiola das 12 horas até 22 horas, para ganhar 900 reais. E ainda por cima, tem que vir no sábado trabalhar das 8 às 16 horas. Ela não vê nada nem ninguém o dia todo, exceto na hora de pico de entrada e saída e um ou outro ao longo do dia.  Pensei sugerir para ela trazer algo para ler.  Lógico que ela perde horas para chegar na casa dela onde tem família esperando cuidados.

Isso é capitalismo. Ou socialismo. Ou seja o que for. A perda de criatividade e liberdade das pessoas está presente em todos. Precisamos de algo novo, mais solidário, mais humano, mais harmonizado com o planeta onde sobrevivemos algumas décadas.  É claro que estamos longe disso.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Água

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Temos várias razões para perda de fé no Brasil. A questão da água e do clima são suficientemente sérias senão assustadoras.

Foto: Steve Garner (CC by 2.0)
O que os climatologistas apontam é que a negação das alterações climáticas não pode ser feita com o argumento de “esse extremo já foi observado 30-40 anos atrás”, porque tem a questão difusa.  Na parte difusa, o que tem sido anormal é o número de extremos climáticos acontecendo todos ao mesmo tempo no planeta: seca no Brasil durante a temporada de chuvas, frio extremo nos EUA e Inglaterra debaixo de água, etc. tudo ao mesmo tempo.

O Brasil vive a combinação nefasta de má gestão política dos recursos com dependência enorme da estabilidade climática hoje cada vez menor.

Temos também a falha da teoria econômica, que considera água e a natureza bens livres, ou seja, são e serão sempre externalidades (bens livres não são passíveis de apropriação econômica). A questão da água em São Paulo onde as perdas na distribuição por falta de investimentos no encanamento são grandes, vemos o quanto a teoria econômica disfuncional explica o caso.  Para a empresa de saneamento, a água não tem custo algum, pagamos apenas pela entrega, então, o fato da água vazar 30-40% pelos canos até seu destino final tem custo zero para a empresa, ou seja, é uma externalidade, não impacta suas receitas.  Mas se a empresa decidir consertar os canos, isso é um passivo imediato, aumenta os gastos.  Se a eficiência for obrigatória por lei usando dispersores em chuveiros e torneiras e vasos sanitários eficientes, o consumo de água despenca, o que reduz a receita da empresa.

Num recurso tão indispensável quanto a água o sistema premia o desperdício, as perdas e a ineficiência, colocando em risco a vida de todos na Terra.  É assustador, porque a água não pode ser produzida, cada gota de água que olhamos num copo existe há 15 bilhões de anos no Universo e é, pelo menos na vida tal como a conhecemos, o elemento vital da sua formação.  Um corpo humano não aguenta uma semana sem água, embora aguente um mês sem comida.

Nova Iorque caminhava para uma crise de falta de água sem precedentes no final dos anos 1990, mas o pagamento de serviços ambientais resolveu o problema, ao manter as matas e florestas das fontes, a água se recuperou e ao reduzir a demanda com eficiência, o equilibrio foi restaurado. No final, temos que respeitar os limites ecológicos para nosso sistema, mas nessa fase intermediária precisamos começar a agir para evitar o pior com o apoio da precificação ambiental, tecnologia, eficiência e tudo que estiver disponivel.  Não podemos ficar sem água e de comida, ninguém estará a salvo disso, mesmo os mais ricos, porque tudo depende da natureza e continuamos tão dependentes dela quanto o homem de Neardental. 

No Brasil desmatar terras por onde se rasgam novas estradas para especulação imobiliária ainda é o grande motor de destruição das nossas florestas.  Sem a Amazônia estaremos todos mortos, isso é uma certeza científica: são 21 bilhões de toneladas de águas produzidas diariamente via vapor que sai das folhas de 600 bilhões de árvores, um volume maior que o do rio Amazonas, maior do mundo, que gera 19 bilhões diariamente. A fonte desse dado é a palestra no TEDxAmazônia do Antonio Donato Nobre, com relato emocionante dos serviços biológicos dessa floresta, que são vários: a floresta Amazônica tem um estoque de carbono equivalente as emissões totais da revolução industrial até hoje, o que, possivelmente, com a sua morte, iria abalar e muito nossa atmosfera. Não é só seu estoque ainda ignorado de biodiversidade e de fonte para vários benefícios à humanidade e sua saúde, mas é o risco que estamos atingindo: segundo Smithsonian se 25% do total da floresta for destruído, pode ser seu ponto de ruptura, a partir do qual ela não é mais capaz de autogerar as condições da sua sobrevivência.  Não sou especialista, mas sou fascinado pela Amazônia e pelos ecossistemas do nosso país, como o Cerrado.   Só consigo entender a destruição desenfreada pela ignorância e imediatismo de alguns e pelo erro atroz da teoria econômica, um dos maiores erros científicos da história da humanidade.

Precisamos de pessoas e políticos que comecem a olhar isso de cima, a população de uma forma geral vive alheia e não tem noção do perigo, pois estão lutando para sobreviver e receberam estímulos errados ligados a questões menos importantes que não lhes garante nada, nem a felicidade ou sua liberdade.  Sempre desejamos que a população tome poder do seu destino com a ajuda de todos, para viverem plenos, mas isso está longe de ser possível, ainda mais no Brasil. Dependemos dos políticos, dos decisores e formadores de opinião de forma extrema, mas eles todos encontram-se ausentes e com raríssimas exceções vemos alguma claridade.  Precisamos de ação antes que seja tarde demais. Espero que já não seja.  Mas o fato é que até agora nenhuma ação foi feita para mudar a rota de colisão da humanidade com a Terra.

Hugo

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Cade a neve?

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Cobertores térmicos especiais foram usados pela organização de Sochi para estocar neve

 Comentáio sobre a notícia:

Surreal: estamos em rota de colisão com a Terra, o que considerávamos dado, não está mais presente, como água, gêlo, chuva, solo fértil e ao invés de mudarmos nossa atitude, cancelarmos nossas extravagâncias, abusamos ainda mais da natureza, tentando criar gêlo, chuva. O sistema sócio-econômico-humano da nossa civilização só produz feedback negativo sobre os ecossistemas e os resultados enquanto continuarmos agindo assmi serão sempre negativos, até que a ruína maior nos atinja: o fim da vida.  Quer saber em quais feedbacks atuamos corriqueiramente: consumo de alimentos produzidos fora das nossas localidades, geração de lixo inconsciente para o qual a reciclagem não é a solução e jamais será, viagens de carro para lá e para cá dentro de cidades sem fazer uso de andar a pé, de bicicleta ou de ônibus, ir a churrascarias, comer carne em excesso, comer carne enfim, viajar de avião de forma hedonista e não útil para  a sociedade, enfim, estamos acelerando o processo de entropização da Terra do qual jamais sairemos vencedores. E até o momento dessa escrita essa economia do alto carbono em cima do modelo carro-casa-viagem-ao-exterior continua mais forte do que nunca, embora seja totalmente insustentável.

Hugo

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Fim da civilização à vista: Relatório em Davos mostra que 85 pessoas detêm 46% da riqueza mundial

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Logicamente que essa concentração enorme de riqueza é uma barreira para mudar a economia do alto carbono no qual estamos, em rota suicida em curto espaço de tempo, dado que as pessoas foram emasculadas de qualquer poder decisório.  As democracias morreram, vivemos plutocracias. Um bom livro é Failed States do Noam Chomsky.

Lógico que esse poder impede que visões contrárias como a de Nicholas Georgescu Roegen sejam aceitas.  E a própria demanda por sustentabilidade é transposta para um universo paralelo do faz de conta que nada muda, porque, quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas...

Hugo

Relatório em Davos mostra que 85 pessoas detêm 46% da riqueza mundial

20/1/2014 15:07
Por Redação, com agências internacionais - de Londres e Davos, Suíça

Davos, este ano, a estação de esqui recebeu mais um fórum mundial
Apenas 85 pessoas no mundo detêm 46% de toda a riqueza produzida no planeta – mesmo percentual de metade da população – segundo um novo relatório, divulgado nesta segunda-feira no Fórum Econômico de Davos, na Suíça. O documento realça a incapacidade de políticos e líderes empresariais em deter o crescimento da desigualdade econômica.
“Os resultados apresentados no estudo minam a democracia e tornam mais difícil a luta contra a pobreza”, afirmou o grupo humanitário britânico Oxfam International, que assina o relatório.
– É impressionante que, em pleno Século XXI, metade da população mundial tenha apenas um pouco mais do que uma elite cujos números permitem tê-los, todos, sentados confortavelmente em um único vagão de um trem. Ampliando-se a desigualdade, cria-se um círculo vicioso no qual a riqueza e o poder concentram-se, cada vez mais, nas mãos de poucos, deixando o resto de nós a lutar por migalhas da mesa superior – disse Winnie Byanuima, diretora executiva do grupo.
Lição de Marx
Em um outro relatório, divulgado na semana passada, o Fórum Econômico Mundial já abordava a desigualdade e a concentração de renda no mundo como o mais sério risco de danos políticos e instabilidade na próxima década. Na segunda década do século XXI confirma-se, integralmente, a Lei Geral da Acumulação Capitalista formulada assim n’O Capital, do economista Karl Marx: “À medida que diminui o número dos potentados do capital que usurpam e monopolizam todas as vantagens deste período de evolução social, crescem a miséria, a opressão, a escravatura, a degradação, a exploração, mas também a resistência da classe operária”.
Segundo a Organização Internacional de Trabalho (OIT), em linha com a miséria causada por um sistema global intrinsecamente injusto, mais de 200 milhões de trabalhadores estão desempregados no mundo. Apenas a União Europeia tem mais de 30 milhões de pessoas sem emprego e 127 milhões vivendo na pobreza extrema. Na França, mil empregos são destruídos por dia e cinco milhões estão sem trabalho. Na América Latina e Caribe a taxa de desemprego entre os jovens é de 13,7%, ou 22 milhões; na Espanha, 56%, e na Grécia, 61%. Ainda de acordo com a OIT, 73 milhões de jovens estão desempregados e este índice continua crescendo.
Na Alemanha, um dos maiores exportadores do mundo e país mais rico da União Europeia, 30% da população vivem abaixo da linha de pobreza e 7,45 milhões de trabalhadores têm “miniempregos”, nos quais o trabalhador recebe 450 euros (R$ 1.200) por mês. Caso esses trabalhadores fossem somados à população desempregada, o desemprego pularia de 7% para 24%.
Na principal cidade dos Estados Unidos, Nova York, 50 mil trabalhadores moram em abrigos porque seus empregos são de baixa remuneração e na Espanha, até junho de 2013, 20 mil famílias foram despejadas de suas casas.
A fome segue como a principal causa de morte no planeta. Na década de 1950, 60 milhões de pessoas passavam fome. Atualmente, são quase um bilhão. Mas, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o número de pessoas com desnutrição – que sofrem de uma ou mais deficiências em micronutrientes (vitaminas e outros) – já alcança dois bilhões. Segundo Jean Ziegler, ex-relator especial para o Direito à Alimentação das Nações Unidas (ONU), 18 milhões morrem de fome por ano e, a cada 5 segundos, uma criança morre de fome.
O desenvolvimento do capitalismo, portanto, não trouxe mais progresso nem uma vida melhor para a maioria da população, mas sim desemprego, fome e sofrimento. Porém se a pobreza aumenta, cresce a riqueza daqueles 85 capitalistas. Em 2000, apenas 1% dos norte-americanos detinha 32,8% da riqueza do país; em 2013, passaram a abocanhar 40%.
Oligarquia financeira
No mundo, de acordo com Mapa da Desigualdade em 2013, os 10% mais ricos do planeta detêm atualmente 86% da riqueza mundial. Destes, 0,7% tem US$ 98,7 trilhões e a posse de 41% da riqueza mundial, maior valor já registrado na História da Humanidade. Com uma enorme soma de capital em suas mãos, um reduzido grupo de multimilionários, donos de grandes bancos, fundos de investimentos e monopólios espalhados pelo planeta, controla a indústria, o comércio e a agricultura.
Estudo realizado pelo Instituto Federal de Tecnologia da Suíça enfocando 43 mil empresas multinacionais concluiu que 174 delas (na maioria bancos) controlam 40% da economia mundial. Nos Estados Unidos, maior país capitalista do mundo, apenas cinco bancos (JP Morgan, Goldman Sachs, Citigroup, Bank of América e Weels Fargo) têm ativos de US$ 8,5 trilhões, cerca de 56% do PIB, e 10 empresas controlam 85% dos alimentos de base negociados no mundo.
Não bastasse, desde o início da crise, governos e bancos centrais repassaram mais de US$ 30 trilhões a essa oligarquia financeira, provocando o maior endividamento público da história. Somente o Tesouro dos EUA, segundo relatório do U.S. Government Accountability Office (U.S. GAO), entregou 16 trilhões de dólares em empréstimos a juros negativos às grandes empresas e bancos do país, embora tenha demitido milhares de funcionários públicos.
O resultado desses planos de ajuda aos bancos foi o crescimento exponencial das dívidas públicas, dívidas dos Estados, mas pagas pelos impostos cobrados dos trabalhadores. Em 2007, a dívida pública dos EUA era de 66,5% do PIB, e pulou para 106,5% em 2012, levando o país a viver em estado permanente de calote. A dívida pública do Japão é superior a 200% do PIB e a da França, segundo o próprio governo, chegará a 95,1% do PIB em 2014. Por sua vez, dados do FMI indicam que a dívida do governo central da China soma 46% de tudo o que o país produz.
Para pagar essas dívidas, a solução dos governos capitalistas são os chamados planos de austeridade, ou seja, jogar esse endividamento nos ombros dos trabalhadores. Por isso, medidas como redução de salários dos funcionários públicos, cortes das verbas para a saúde e educação, privatização de empresas públicas, eliminação de direitos trabalhistas, diminuição das aposentadorias e, consequentemente, destruição de pequenas e médias empresas.
Ao lado do crescimento da concentração de capital, do aumento de fusões e aquisições entre as empresas em todo o mundo, temos o aumento exponencial da especulação financeira. Segundo relatório do Mackinsey Global Institute, em números absolutos, o estoque total de ativos financeiros – depósitos bancários, financiamentos, títulos de dívida privada e pública, ações de companhia – atingiu US$ 225 trilhões no ano passado. Um volume 10% maior que em 2007, ano de início da crise, e o equivalente a 312% da produção global. Já o montante dos derivativos no mundo atingiu US$ 600 trilhões em 2011, segundo números do Bank for International Serrlements (BIS).
É esta oligarquia financeira que impõe sua vontade e seus interesses em todos os países e obrigam os governos e os bancos centrais da Europa, América Latina, África ou da Ásia, a adotarem a mesma política de ampla proteção ao capital financeiro. Ocorre, assim, uma verdadeira fusão do Estado com o capital financeiro.
Dessa forma, a globalização da economia nada mais é que a extensão do domínio desse pequeno e poderoso grupo de bilionários dos países imperialistas em aliança com a grande burguesia dos demais países, para obter superlucros.
Luta de classes
Há, ainda, o acirramento das contradições interimperialistas, isto é, entre EUA, Rússia, China, Alemanha, Japão, Inglaterra e França. Essas contradições ficam evidentes, quando verificamos que não existe um acordo comercial amplo no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC); prossegue a chamada “guerra cambial” ou a tentativa de impor o dólar e o euro como únicas moedas no mundo; bem como a feroz disputa pelo controle de regiões estratégicas do planeta, como se verifica na África, e em particular, no Oriente Médio, para ter a posse do petróleo, gás e de minérios estratégicos.
Na outra ponta, as potências capitalistas realizam acordos e tratados comerciais, visando a enfraquecer concorrentes e redividir os mercados, como fica claro, nos acordos dos EUA com a União Europeia para formar uma área de livre comércio e com o Japão no Pacífico, procurando isolar a China; da França com a Alemanha na Europa, ou com os acordos comerciais e investimentos da China na África e na América Latina.
São ainda características da crise, além da destruição de empregos, elevação do preço dos alimentos e do custo de vida e o empobrecimento das massas, o enriquecimento da grande burguesia mundial, em particular da alemã e da norte-americana, o surgimento de um reduzidíssimo número de milionários na China e o aumento das intervenções militares e guerras para saquear nações e controlar suas riquezas.
Em resposta a essa situação, os trabalhadores e a juventude organizam greves gerais, enfrentam os governos e seus aparelhos de repressão e promovem protestos e lutas. Os levantes populares na Tunísia, Egito, e em outros países da África; as greves gerais na Europa, a revolta de junho em nosso país, etc., são exemplos claros dessa tendência. Também, em função das medidas econômicas adotadas pelos governos burgueses em favor de bancos e monopólios, cresce o descrédito das massas no Estado burguês e em suas instituições, como Parlamento, União Europeia, FMI, OMC e ONU.
Com sua base social cada vez mais reduzida, os governos burgueses ampliam os gastos militares visando a enfrentar as revoltas populares e manter este carcomido sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção. O orçamento militar dos Estados Unidos cresceu 90% nos últimos 13 anos. A Rússia, em 2011, aumentou orçamento militar em 9,7% e a China elevou em 11,2% os gastos militares no ano passado.
Em outras palavras, os governos capitalistas aumentam a repressão sobre as massas, criminalizam os protestos e os movimentos sociais e montam uma rede de espionagem mundial na telefonia e na internet, violando as mais elementares liberdades democráticas.
O fato é que, neste século 21, temos um aumento extraordinário das guerras e intervenções militares imperialistas, como no Mali, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria e Haiti, e, em outros países ocorre um processo de fascistização dos governos com a supressão de vários direitos democráticos, comprovando, como afirmou Lênin em sua obra O Imperialismo, fase final do capitalismo, que este sistema, em sua fase imperialista, tende para a violência e o autoritarismo.
Em síntese, o plano da burguesia mundial é resolver a crise, aprofundando a exploração das massas trabalhadoras, invadindo países, dominando povos e se apoderando, por meio de guerras, das riquezas naturais e dos mercados para garantir uma nova partilha do mundo e a escravização de bilhões de pessoas por um minoria de exploradores capitalistas.
Portanto, diferente do que prometeu a burguesia mundial, o século 21 não é o século da paz nem da harmonia entre capital e trabalho. Pelo contrário, em vez do “estado do bem-estar social”, temos crises econômicas, fome, ampliação do comércio de drogas e da prostituição, e o acirramento da luta de classes em todos os continentes.
Movimentos táticos
Ingressamos em um novo período de confrontos entre as classes, caracterizado, de um lado, pelo aumento da exploração dos trabalhadores, uma enorme destruição das forças produtivas, e o desencadeamento de novas guerras imperialistas e, de outro lado, pela resistência das massas exploradas e por um impressionante avanço das greves operárias e das lutas da juventude e demais oprimidos.
Os próximos anos serão, assim, anos de uma acirrada disputa por mercados e pelas riquezas naturais, como petróleo, minérios, pela água, e de grandes enfrentamentos entre as classes.
Porém, como afirma a Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML), “os resultados da crise econômica capitalista dependerão das forças políticas atuantes e da sua inteligência para aproveitar a conjuntura. De uma crise econômica e uma guerra mundial surgiu a primeira revolução socialista, a de outubro de 1917 na Rússia, mas também, de uma grande crise econômica surgiu o fascismo alemão, o nazismo, encabeçado por Hitler. Quer dizer, a crise pode contribuir para a revolução, se existir uma força política com influência nas massas e capacidade para desenvolver os movimentos táticos que permitam derrubar os governos burgueses e pró-imperialistas”.
Portanto, caminhamos para duros combates entre os exploradores e explorados. As potências imperialistas não vacilarão e não têm vacilado em tudo fazer para salvar seu injusto sistema econômico e político e para que as riquezas continuem nas mãos de uma ínfima minoria, da oligarquia financeira internacional e seus sócios, embora isso signifique crianças morrendo de fome, milhões de operários desempregados, famílias vivendo sem casa, mais guerras e destruição do meio-ambiente.
Com efeito, a classe capitalista nunca ficou de braços cruzados vendo sua riqueza derreter, sempre agiu para proteger o lucro, a acumulação capitalista e a reprodução do capital. Não importa o que tenha que fazer nem quantas guerras tenha que realizar. Mas é verdade também que, por toda parte, avança a luta por uma vida nova, para libertar a humanidade das guerras e da exploração do capital e a perspectiva da revolução e do socialismo torna-se a cada dia mais concreta.